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Sábado, 25 de Dezembro de 2004

Emilio Monti, presidente da FAIE. [Foto: FOS]
Emilio Monti, presidente da FAIE. [Foto: FOS]

Evangélicos continuam divididos sobre projeto de educação sexual

BUENOS AIRES, Argentina, Dezembro 22, 2004

Mesmo rejeitado pelo legislativo da capital, o projeto de lei de educação sexual nas escolas Taxi Heathrow Airport continua gerando divergências entre setores evangélicos, como mostra o pronunciamento publicado pelo presidente da Federação Argentina de Igrejas Evangélicas (FAIE), reverendo Emilio Monti.

O projeto foi duramente criticado pela Aliança Cristã de Igrejas Evangélicas da República Argentina (ACIERA), enquanto que a FAIE, a Igreja Metodista e as igrejas luteranas aprovaram a iniciativa, ainda que com certas restrições.

Após a votação, ACIERA publicou uma "Reafirmação da postura" da entidade, que suscitou a resposta pessoal do presidente da FAIE. A liderança da FAIE entendeu que "não era oportuna uma resposta oficial que poderia dar lugar a uma discussão institucional estéril".

Monti afirmou que sua intenção não é entrar na discussão da lei, respeitando o direito de toda pessoa à sua própria decisão. Ele se manifestou preocupado, contudo, que opiniões referentes a uma questão particular e limitada geograficamente sejam vistas como um sinal para toda a nação de fidelidade a Deus e à sua Palavra, desqualificando aqueles que não pensam da mesma maneira.

"Faço-o como um irmão que há mais de dez anos tem trabalhado junto a vocês, na busca de uma unidade do testemunho evangélico", disse. Quem pode falar em nome de "todos os evangélicos"?, perguntou.

Estimativas oficiais assinalam que o número de pessoas reconhecidamente "evangélicos" oscila em torno de 10% da população, e que existem mais de 8 mil congregações.

ACIERA disse em seu documento que agrupa 10.500 igrejas e mais de 3,5 milhões de fiéis. Caso existam três milhões e meio de evangélicos na Argentina, isso significa, contabilizou Monti, que as igrejas que estão na FAIE e na FECEP (Federação Confraternidade Evangélica Pentecostal) e outras, não existem.

Essa insistência em "ser maioria" induz ao equívoco da "lógica do poder", para a qual o importante é "ser muitos". Caso seja aceito que a maioria tem o direito a "impor" sua fé ou sua ética, estaria-se reafirmando o argumento de que a igreja predominante na Argentina, a católica, pode decidir sobre o ensino religioso nas escolas.

No mundo das decisões políticas, a maioria é importante e sua vontade deve ser respeitada, porque assim deseja o sistema democrático que foi escolhido. Ainda assim, porém, isso não lhe dá privilégios nem garante a verdade, anotou Monti.

O pastor destacou o trabalho unido das três federações no Conselho Nacional Cristão Evangélico (CNCE) e este, disse, "é parte da nossa herança, à qual não devemos renunciar, nem obscurecê-la", insistiu.

O CNCE foi criado com "espírito protestante" para ser um lugar de encontro, no qual é possível chegar a critérios comuns para uma atuação conjunta, sem imposições, historiou.

"Praticamente todas as nossas igrejas são herdeiras de grandes reformas e avivamentos, que lutaram até o martírio para se libertar da sujeição a uma ‘autoridade externa’, seja ‘igreja oficial’ ou ‘Estado’, frisou.

Ao final do texto, o presidente da FAIE manifestou: "Creio que o Senhor nos chama para um diálogo mais amplo, e o diálogo implica aceitar aquele que pensa diferente. As posições fechadas ao diálogo fazem com que os fundamentalismos sejam cada vez mais reacionários e violentos, e que as ‘renovações’ sejam cada vez mais volúveis e desenfreadas."


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