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Segunda-feira, 29 de Outubro de 2007

Harold Segura, teólogo batista colombiano [Foto: Visión Mundial]
Harold Segura, teólogo batista colombiano [Foto: Visión Mundial]

Dizem que o Natal é pagão

Harold Segura C., SAN JOSÉ, , Dezembro 17, 2004

É isto o que dizem: que a origem da celebração do nascimento de Jesus não Taxi Heathrow Airport é cristã, mas pagã; que Jesus não nasceu num 25 de dezembro; que nessa data os romanos celebravam o nascimento do sol e que essa festividade era simbolizada por uma virgem que dava luz à uma criança (o deus Horus, da mãe Isis); que, em resumo, o Natal é uma mescla insuportável de fé cristã com festividades pagãs.

Essa argumentação vem acompanhada de uma proposta: que os cristãos, como mostra da fidelidade a Deus, renunciem a esse sincretismo e não comemorem o Natal. Essa reação não é novidade. Já a adotaram os puritanos dos Estados Unidos e da Inglaterra em séculos passados [1].

Quem assim acredita acerta ao assinalar a origem romana dessa celebração. A mais recente menção do 25 de dezembro como data do Natal cristão vem do século IV [2] (ano 354). Também é certo de que não existem evidências históricas que permitam afirmar que Jesus nasceu nessa data.

O que aconteceu foi que a Igreja de Roma, diante da incapacidade de eliminar a celebração pagã, decidiu espiritualizá-la e aplicá-la diretamente ao nascimento de Cristo, que é o nosso Sol de Justiça.

O Natal nasceu, então, como um esforço criativo dos cristãos do Ocidente de exaltar o nome de Cristo acima das forças pagãs da época. Se os romanos tinham razões para festejar o nascimento do Sol (Natalis Solis Invicti) [3], os cristãos, com maior razão, deviam celebrar o nascimento de Cristo, verdadeiro Sol de Justiça. Nas palavras de Santo Agostinho: os crentes não deveriam adorar "o Sol, mas o Criador do Sol" [4].

O debate está colocado: Devemos celebrar o Natal, embora reconheçamos que no contexto de sua origem se encontram elementos pagãos? Depois dessa interrogação há ainda outra, mais interessante: Tudo o que em sua origem tenha sido pagão permanece pagão?

Se assim fosse, estaríamos em sérios problemas. Por exemplo, o termo "teologia" não é de origem bíblica. "Foram os gregos, não os apóstolos, que cunharam o termo para designar o discurso que os poetas elaboraram com referência aos deuses" [5]. Por isso Orfeu e Homero eram denominados "teólogos". E assim existem outros exemplos.

De uma outra perspectiva, menos literal e mais consciente da força da História, o Natal representa certa vitória da fé dos cristãos sobre a celebração pagã. Pelo menos isso era o que buscavam os crentes do século IV.

Por que, então, menosprezar essa rica tradição cristã que já completou 15 séculos para lembrar as marcas pagãs da velha Roma? O apóstolo Paulo disse que os ídolos nada são no mundo (I Co 8,4), e que Cristo venceu na cruz os principados e as potestades (Col 2,15).

O excesso de atenção às origens pagãs esquece, em parte, a vitória da cruz; concede valor demasiado aos ídolos e não faz caso da realidade do Cristo que é soberano sobre todos e em todos: "Porque dele e por meio dele e para ele são todas as coisas..."(Rm 11,36).

Que tenham um FELIZ NATAL!

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Harold Segura, pastor batista colombiano, responsável de Relações Eclesiais de  Visão Mundial-Latino-América.

[1] Rabí DAN BEN AVRAHAM. "El trasfondo histórico-religioso de la Navidad". Toledo, Espanha. Documento enviado por via eletrônica.

[2] TAYLOR, James. In: "Diccionario de historia de la Iglesia" Miami: Editora Caribe, 1989. p. 71.

[3] Os romanos celebravam o solstício de inverno, época na qual o sol alcança o seu ponto de máxima distância do equador. Os solstícios são dois: o de verão (junho) e o de inverno (dezembro). Todos os povos antigos, adoradores do sol, celebravam o nascimento do astro rei com grandes festas.

[4] RODRIGUEZ, Pepe. "Mitos y ritos de la Navidad". Barcelona: Grupo Zeta, 1997, p. 20.

[5] ROLDAN, Alberto F. "¿Para qué sirve la teología?". Buenos Aires: FIET, 1999, p. 24.