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Quinta-feira, 23 de Dezembro de 2004

Movimento evangélico perde fôlego e seu ciclo chega ao fim, diz pastor

SÂO PAULO, Brasil, Dezembro 15, 2004

O movimento evangélico, assim como hoje é conhecido e que se mostrou como o maior Taxi Heathrow Airport fenômeno religioso do século XX, está perdendo o fôlego, completando o seu ciclo de existência e chega ao fim.

A previsão é do pastor e escritor Ricardo Gondim Rodrigues, da Igreja Assembléia de Deus Betesda, manifestada na entrevista que concedeu a Carlos Fernandes, da revista Eclésia.

Gondim vaticina que o evangelho de resultados vai dar lugar a uma "espiritualidade mais viva, de um relacionamento mais íntimo com Deus", e a uma abordagem "mais humana das Escrituras".

Os sinais de esgotamento são claros, segundo o pastor. "Um deles é a fragilidade teológica e doutrinária dos adeptos do movimento evangelical nas bases", arrola. Ele exemplifica:

Se você perguntar a um membro da igreja evangélica, hoje, porque é evangélico, ele vai responder com um chavão ou relatar uma experiência mística, metafísica, sem qualquer conteúdo básico, exegético, hermenêutico.

Na entrevista, Gondim frisa que a igreja evangélica brasileira "tem uma grande dificuldade de examinar a si mesma, porque está muito entusiasmada com o seu próprio crescimento".

Ele argumenta: "Nós, hoje, temos uma Igreja pragmática, onde o ‘dar certo’ é mais importante do que ‘estar certo’. Hoje, o parâmetro da bênção de Deus é a prosperidade. Então, se você está ganhando dinheiro, se a sua empresa vai indo bem, então é sinal de que a bênção de Deus está sobre você".

O líder da Assembléia de Deus Betesda assinala que essa teologia começa a decepcionar as pessoas, que se frustram com Deus e com a Igreja. "Isso funciona com a mesma lógica do jogo de azar – milhões apostam, mas apenas um grupo mínimo acerta", compara.

Gondim também questiona os programas midíaticos de igrejas evangélicas brasileiras, que fazem muito mais propaganda das instituições do que anunciam o ensino dos conteúdos do Evangelho.

Ele prevê que, depois dessa fase de exaustão do movimento evangélico, "nós nos tornaremos identificados com o pulsar do coração de Deus para com a humanidade sofrida. A evangelização deixará de ser uma agenda institucional e passará a ser uma identidade do nosso coração com o coração de Deus".


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