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Quarta-feira, 7 de Novembro de 2007

Comunicadores enfocam espaço da religiosidade na mídia

Micael Vier B., SÂO PAULO, Brasil, Dezembro 10, 2004

Um encontro inédito promovido pelo Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo reuniu, Taxi Heathrow Airport nesta capital, comunicadores e assessores de imprensa de instituições religiosas para debaterem o espaço da religiosidade na mídia.

Na avaliação do repórter especial de O Estado de São Paulo, José Maria Mayrink, e do assessor de comunicação do Colégio Luterano de São Paulo, pastor Nilo Wachholz, os temas de caráter eclesial devem disputar espaço na mídia como as outras tantas questões pautadas nas redações.

Mayrink e Wachholz foram painelistas na Oficina de Assessoria de Comunicação em Religião, realizada no dia 27 de novembro. Os outros debatedores foram o jornalista Aldo Quiroga, da TV Cultura, e os assessores de comunicação Maria Angélica Rittes, da Igreja Católica, e a monja Coen, do budismo.

Em entrevista à ALC, Mayrink garantiu que não existe preconceito da mídia em relação aos assuntos religiosos, mas certa resistência dos veículos em tratar do tema enquanto exposição de doutrina, evangelização, divulgação de agenda e programação religiosa.

Mas admitiu o eventual preconceito de jornalistas ateus ou agnósticos, que não se dispõem a tratar do tema. "São posições pessoais que um bom profissional será capaz de deixar de lado", disse.

Segundo o pastor Nilo Wachholz, existe desconfiança por parte da mídia em relação às denominações, e vice-versa. "Os veículos parecem não saber o que publicar e o que dizer", anotou.

O segredo, apontou, é a mídia orientar os profissionais que vão abordar pautas que envolvem as igrejas, e as igrejas devem estar atentas e organizadas para oferecer material jornalístico de qualidade e de interesse às redações.

O pastor da Igreja Evangélica Luterana no Brasil (IELB) frisou que as denominações têm muito a transmitir em termos de valores éticos, morais e espirituais à sociedade. "Assim como as pessoas buscam o religioso, os veículos de comunicação deveriam encontrar nas igrejas notícias de caráter humanitário e social que interessem ao público", ressaltou Wachholz.

Questionado quanto ao que vem a ser notícia religiosa na mídia convencional brasileira, Mayrink exemplificou que uma missa do padre Marcelo Rossi, uma concentração evangélica, a visita de um líder religioso ou o pronunciamento de representantes dessa ou daquela igreja são acontecimentos de interesse para os jornais.

Ele mencionou ainda os casos de denúncias de pedofilia e extorsão. "É um equívoco esperar da mídia uma cobertura para assuntos de agenda, como celebrações de rotina, comemorações e festinhas", disse o repórter.

Mayrink revelou que cabe às igrejas defender os seus pontos de vista e tomar posições diante dos grandes temas da humanidade. As igrejas, sublinhou, devem explorar temas como a paz, violência, ética, corrupção, defesa da vida e doenças que ameaçam a humanidade. "Isso pode ser feito através de entrevistas, reportagens e experiências de vida", comentou.

As universidade, recomendou Wachholz, devem mostrar aos seus alunos a importância da religião, que, enfatizou, lida com o transcendente, não trata de questões palpáveis e não têm o mesmo impacto que as notícias do dia-a-dia. "Mesmo assim, a religião é tão necessária quanto qualquer outra temática discutida na mídia", concluiu.