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Domingo, 12 de Dezembro de 2004

Discoteca recebe multa por proibir entrada de jovem negro

Tzeitel Allen, CIDADE DO PANAMÁ, Panamá, Dezembro 7, 2004

Uma discoteca da capital panamenha foi multada em mil dólares por violar o decreto municipal Taxi Heathrow Airport que estabelece o direito de admissão a todo cidadão que deseje participar de atividades sociais ou culturais em locais públicos.

O fato foi denunciado à Defensoria do Povo e ao Departamento de Igualdade e Ação Cidadã da prefeitura do Panamá por um jovem negro, que foi proibido de entrar num baile, na noite do dia 3 de setembro último.

Os dois organismos apresentaram queixa perante a Corregedoria do setor, conhecido como Bella Vista, que sentenciou a discoteca, em novembro. Além da sanção econômica, a corregedora Lourdes Guerra advertiu que o estabelecimento poderá ser fechado caso voltar a cometer faltas similares.

"Do ano 68 para cá, essa é a primeira vez que vejo algo concreto, que nos diz que o trabalho não tem sido em vão, que existe consciência e que alguém se atreve a tomar uma atitude. Sempre ocorreram denúncias, porém agora aconteceu uma sanção. Agora podemos dizer que há esperança de que essas situações sejam eliminadas cada vez mais", indicou o Oficial da Educação Teológica da Igreja Episcopal do Panamá e veterano da luta contra a discriminação, Walter Smith.

Num boletim de notícias, a Prefeitura do Panamá destacou que a norma municipal, promulgada dia 30 de maio de 2002, "preserva o direito de todo indivíduo de ser admitido em qualquer lugar de distração pública, sem distinção de raça, cor ou credo".

A medida foi considerada um êxito na luta que pessoas e organizações da sociedade civil desenvolvem há vários anos, através da denúncia e do protesto pacífico. Essa luta foi apoiada pelo governo municipal mediante a criação do Departamento de Igualdade e Ação Cidadã, em abril de 2002, e pela Defensoria do Povo, através da Comissão Nacional contra a Discriminação e Igualdade, instalada em junho do mesmo ano.

Os dois organismos têm destinado recursos para sensibilizar e capacitar corregedores de distritos e oficiais de direitos humanos da Defensoria do Povo e o público em geral sobre os recursos existentes para o combate à discriminação, e a importância do respeito e da tolerância.


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