Pastora luterana diz que é preciso individualizar os torturadores
SANTIAGO, Chile, Dezembro 3, 2004
"Parece-me impróprio que instituições peçam perdão às vítimas, porque nessa gestão se escondem os e Taxi Heathrow Airport as verdadeiras responsáveis da barbárie", afirmou a pastora-presidente da Igreja Evangélica Luterana do Chile (IELCH), Gloria Rojas.
Ela reportou-se à publicação recente do informe elaborado pela Comissão Nacional sobre Prisão Política e Tortura no Chile, e às subseqüentes declarações das forças armadas, pedindo perdão pelos excessos. A pastora Rojas disse que "individualizar aqueles que cometeram esses crimes e/ou foram seus responsáveis intelectuais, permitirá a realização da justiça".
"Quando leio ou escuto as discussões - em torno de quem devem pedir perdão ou quando devem pedir perdão - não posso deixar de expressar o sentimento de que o pedir perdão não se decreta, não se organiza, não se declara; o pedir perdão se sente na medida em que se reflete sobre os atos realizados", argumentou a presidente da IELCH.
"La historia não pode ser ocultada – o conhecido nessas últimas horas o confirmam – podem passar os anos, mas de uma forma ou outra a verdade virá à luz. Como disse nosso Senhor: ‘não há nada escondido que não será descoberto, nem nada secreto que não será esclarecido’", afirmou a pastora.
O informe, entregue ao presidente Ricardo Lagos, no domingo passado, contém o testemunho de mais de 35 mil pessoas, crianças, mulheres e homens, residentes no Chile e no estrangeiro, que foram submetidas a torturas e vexame durante a ditadura de Augusto Pinochet.
Do total de testemunhos, 28 mil foram considerados válidos pela Comissão e mais de sete mil, que não cumpriram os estritos requisitos para serem aceitos pela Comissão, serão revisados.
A pastora Rojas recorda que naquela época, o bispo luterano Helmut Frenz , com outros pastores, leigos e líderes religiosos, criou o "Comitê Pró Paz", "para receber o testemunho e os clamores daqueles que começavam a sentir as chicotadas da maldade".
Essa postura levou à divisão da IELCH, que pesa até os dias de hoje. Ela marcou, no entanto, profundamente "o perfil da nossa diaconia, baseada na voz profética, anunciando a Palavra de Deus e denunciando tudo o que atente contra a sua vontade", assinalou a pastora-presidente.
Nesse período de Advento, cristãos oram e esperam de Deus a salvação manifestada no menino Jesus, nascido em Belém. "Oramos para que sua paz enche nossos corações e porque o seu reino de justiça e de verdade prevaleça sobre o rancor e as trevas do esquecimento", encerra a declaração da IELCH.
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