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Quinta-feira, 3 de Novembro de 2005

Fórum debate implicações do direito à comunicação

William Delgado, LIMA, Perú, Dezembro 3, 2004

"O problema não é o acesso a informação dos que estão catalogados como ‘info pobres Taxi Heathrow Airport e info ricos’, mas o modo como usamos as tecnologias, a capacidade de interpretar e analisar essa informação", ressaltou a presidente da Federação Latino-Americana de Faculdades de Comunicação Social (FELAFACS), Teresa Quiroz.

Quiroz apresentou essa posição no Encontro Andino "Direitos da Comunicação na Sociedade da Informação",organizado pela Associação Mundial para a Comunicação Cristã (WACC-América Latina), que ocorre em Lima, de 2 a 4 de dezembro.

Ela enfatizou que "o cenário atual nos interpela a repensar a desigualdade numa sociedade do conhecimento na qual o poder se sobrepõe ao saber e ao conhecimento a informação"

Se a informação é um recurso simbólico e reflexivo, é importante que se considere o adequado manejo e utilização dos códigos. Não são as tecnologias que produzem exclusão. A deficiência mais importante é a falta de acesso a uma educação que oriente e forme em destrezas para o uso das tecnologias, agregou.

O fórum culmina, em nível continental, no esforço iniciado com a Cúpula Mundial da Informação, em Genebra, 2003, e que terá continuidade em Túnez, no ano que vem, como parte da Campanha pelos Direitos da Comunicação na Sociedade da Informação.

"Não podemos construir uma sociedade consciente de seus direitos sociais, se não se levar em conta a formação dessas pessoas. É preciso se aproximar à sociedade da informação sem preconceitos, mas fortalecendo aquelas capacidades dos cidadãos e cidadãs que nos permitam construir uma sociedade participativa e democrática, da qual as pessoas sejam realmente protagonista e não somente observadoras", disse Quiroz.

O diretor da Radipaz, Ignacio López Vigil, afirmou que as emissoras e meios "têm que se meter e ajudar a solucionar esses problemas. Necessitamos uma cidadania protagônica. Necessitamos fazer um jornalismo de intermediação", afirmou.

"É necessário construir uma comunicação que permita que a população se aproprie destes espaços, gerando e criando pontes entre a sociedade que exige seus direitos e os que estão encarregados, no Estado, de velar por ela", anotou o comunicador, de origem cubana.

"É necessário devolver à população o protagonismo que requer e que lhe é próprio, e que os meios não sejam uma simples caixa de correspondência desafogo, mas que se constituam em espaços de debate e interpelação", concluiu.