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Domingo, 12 de Dezembro de 2004

Dom Orlando Santos de Oliveira, bispo primaz da IEAB [Foto: IEAB]
Dom Orlando Santos de Oliveira, bispo primaz da IEAB [Foto: IEAB]

Primaz suspende Concílio da Diocese do Recife

PORTO ALEGRE, Brasil, Dezembro 3, 2004

O bispo primaz da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil, dom Orlando Santos de Oliveira, emitiu Taxi Heathrow Airport decreto episcopal determinando a suspensão do Concílio da Diocese do Recife, agendado para os dias 2 a 4 de dezembro, "enquanto perdurarem os conflitos pastorais" que levaram a uma supervisão episcopal especial da diocese nordestina.

O decreto episcopal, contesta o secretário administrativo da Diocese do Recife, reverendo Estevão Meneses, "não tem base nem na Constituição nem nos Cânones Gerais da denominação".

A diocese sente-se "discriminada e perseguida" pela "liderança liberal da Província", clama por apoio internacional e pede uma "supervisão provincial alternativa" de outra Província ortodoxa da Comunhão Anglicana.

A crise entre a Diocese do Recife e a Província tem sua raiz na decisão da Igreja Episcopal dos Estados Unidos (Ecusa), que decidiu, no ano passado, pela ordenação de bispo homossexual. A decisão foi contestada por setores da igreja e instalou um grande debate na Comunhão Anglicana mundial.

O bispo diocesano do Recife, dom Edward Robinson de Barros Cavalcanti, é uma das lideranças que contesta a decisão da Ecusa. Cavalcanti participou, sem autorização da igreja brasileira, de cerimônia de confirmação de jovens na Diocese de Ohio, realizada sem o consentimento do bispo dessa diocese. A IEAB entendeu a participação do bispo brasileiro na cerimônia como uma afronta.

Robinson Cavalcanti foi acusado de semear a discórdia e de expor, de maneira desnecessária, a IEAB perante a Comunhão Anglicana. A partir de então começou o embate entre a Província e a liderança da Diocese do Recife.

Depois de ouvir a Câmara dos Bispos, dom Orlando determinou, em 16 de setembro passado, uma supervisão episcopal alternativa na Diocese do Recife, que não foi reconhecida por Cavalcanti, declarando publicamente a ineficácia da decisão provincial.

O decreto episcopal foi emitido no dia 26 de novembro, portanto, seis dias antes do início do Concílio da Diocese do Recife. Meneses alega, no comunicado à imprensa, que "as débeis finanças da Diocese foram quase completamente gastas com os preparativos e encaminhamentos para o Concílio". Ele também se queixa da suspensão de toda ajuda financeira denominacional para a Diocese.

O decreto episcopal reputa "nulos e sem nenhum efeito, perante a IEAB, quaisquer atos contrários" às medidas tomadas pelo bispo primaz. O decreto considera grave os problemas pastorais vivenciados pela Diocese do Recife.


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