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Quinta-feira, 16 de Dezembro de 2004

Silicose ameaça pequeno povoado na selva peruana

LIMA, Perú, Dezembro 2, 2004

Um programa de televisão e um informe sanitário preliminar da associação evangélica Paz e Esperança alertaram sobre a grave contaminação que aflige o povoado Segunda Jerusalém, onde a população sofre de problemas bronco pulmonares e foram registrados casos de silicose.

No pequeno povoado constata-se, diariamente, uma densa fumaça que sai das chaminés, fazendo com que a visibilidade fique bastante reduzida durante a madrugada. O ar é rarefeito, com cheiro amargo e penetrante.

Segunda Jerusalém fica em Elías Soplín Vargas, Província de Rioja, Região de San Martín, na selva peruana, a cerca de 1.300 km ao noroeste de Lima. O povoado tem seis mil moradores.

O distrito foi fundado em 1984. A maioria da população é formada por imigrantes dos departamentos vizinhos de Cajamarca e Amazonas. Seus moradores são, na sua maioria, evangélicos.

A população dedica-se ao cultivo do arroz e do café. O ganho médio por pessoa é de 200 soles (60 dólares) mensais. O turismo também gera dinheiro ao município, que tem uma bela lagoa chamada "Tioyacu".

No último dia 28 de novembro, um programa do Canal 5 de televisão advertiu que, segundo dados do Ministério da Saúde, existe um alto índice de enfermidades respiratórias no povoado, que cresce a cada ano em proporções superiores ao resto do distrito e da região.

Um informe preliminar, elaborado a pedido da Associação Paz e Esperança, indica que esses problemas podem estar relacionados à exalação de partículas de silícia, provenientes da Fábrica de Cimento Selva.

A inalação de poeiras minerais, como a silícia, pode causar a doença denominada silicose, decorrente da entrada de partículas de silícia nos pulmões, que se alojam nos alvéolos e impedem a passagem de oxigênio para o sangue.

A silicose é irreversível e os especialistas recomendam que os afetados pela doença sejam removidos para outra região. É provável que a maioria da população que resida em Segunda Jerusalém há mais de cinco anos sofra da doença.

No último dia 8 de julho foram tiradas radiografias de 30 moradores de Segunda Jerusalém. Os resultados, não-oficiais, fornecidos pelo médico Hugo Villa Becerra, especialista nesse tipo de enfermidade, indicam que as 30 pessoas sofrem de neumoconiose em forma de silicose.

Uma Junta de Trabalho de Gestão Ambiental, integrada por autoridades regionais, mais o Instituto Nacional de Recursos Naturais, a Faculdade de Ecologia da Universidade Nacional de San Martín, a Associação Paz e Esperança e a Igreja Pentecostes Missionária, entre outras, solicitaram uma auditoria independente da gestão ambiental da fábrica.

Representantes de Cimento Selva negam a possibilidade de que sua planta esteja contaminando o meio ambiente.

O diretor da Associação Paz e Esperança na região de San Martín, Roger Mendoza, declarou que é necessário uma investigação de maior profundidade. "Aqui ninguém é contra o investimento privado, mas ele deve respeitar os procedimentos e normas de cuidado do meio ambiente, sobretudo quanto à saúde dos moradores", precisou.


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