Voltar ao início

Quinta-feira, 16 de Dezembro de 2004

Cresce fenômeno do rock cristão

BUENOS AIRES, Argentina, Dezembro 1, 2004

Durante anos os grupos de rock surgidos dentro de ambiente cristão moveram-se em seu próprio Taxi Heathrow Airport circuito. Dois deles assinaram contrato, agora, com selos multinacionais do disco, informou o jornalista Mauro Apicella, do diário "La Nacion".

Na Argentina, algumas gravadoras multinacionais animaram-se a editar e distribuir discos de bandas roqueiras como Rescate e Kyosko, que levam a mensagem de Jesus e são consideradas as mais importantes no ambiente cristão local.

Os prêmios Grammy, lembra Apicella, abriga, há tempos, categorias para a música cristã. Já em 1964 foi fundada, nos Estados Unidos, a Gospel Music Association (GMA), que conta, atualmente, com 4.500 membros, e em abril deste ano celebrou sua 35a edição de prêmios GMA. Num desses eventos surgiu Bono num vídeo para anunciar o show de Jars of Clay.

Esse cruzamento entre o mundo cristão e o "secular", analisou o jornalista, não são habituais na Argentina. Porém existem algumas exceções. Neste final de semana, a banda punk cristã norte-americana MXPX realizou uma apresentação.

Há tempo, foi possível editar CDs do raper Vico C. e de grupos como o P.O.D. ou Evanescence (ambos não se declaram grupos cristãos, ainda que seus integrantes o sejam). Pode-se escutar algum hit de Sixpence None The Richer ou um título em castelhano no qual Jaci Velásquez podia estar falando a um noivo ou, até, a Jesus.

Para um artista argentino a fronteira está mais demarcada. Algumas multinacionais, no entanto, encararam esse obstáculo. A questão não é deixar passar o que sucede em frente a seus narizes com a música cristã. Talvez por isso a Sony gravou, ao vivo, "Uma raza contra o vento", de Rescate, e a EMI distribuiu o CD "Maquillaje gama", de Kyosko.

"Imagina que quando nos apresentaram o projeto estávamos diante de um mundo por recorrer como companhia", admite Sergio Ponfil, encarregado do repertório local da Sony. O executivo admite, contudo, que "ainda há certo preconceito no meio".

Em seus mais de dez anos de carreira, Rescate vendeu cerca de 150.000 cópias de discos, relata o artigo. Nos últimos quatro anos, passou por 25 países e reuniu, junto a Kyosko, próximo a 15.000 fãs cristão no estádio de Atlanta. Além disso, foi convidado a participar de festivais como o de San Pedro ou o Quilmes Rock.

Para falar de Jesus não é necessário mencioná-lo. "Como banda de rock e como artistas vemos que nossa música não precisa ser necessariamente algo óbvio", conta Ulises Eyherabide, vocalista e fundador da banda.

"É preciso deixar espaço para que a gente possa aproximar e discernir o que dizem as canções. O que fazemos não é exclusivamente para consumo dos crentes, chamem-se protestantes, evangelistas. Nossa música tem uma poesia muito mais urbana. Há liberdade e chance de não se sentir abordado por fundamentalistas", disse.

Isso tem mais a ver com os preconceitos dos jovens em relação à religião do que para com eles, avaliou. "Se falamos de Cristo, em paralelo estamos associados com a historia obscura de algum pastor, ou com aquilo que a religião escreveu com a mão e apagou com o cotovelo. A rejeição pode ser essa. Pensam que o que fazemos vem alentado por alguma corrente e não pela essência do cristianismo", assinalou Eyherabide.

"A atitude integradora de Cristo é o que queremos levar em frente", enfatizou. Na banda há pessoas de San Nicolás e de Rosario, de sete igrejas diferentes, e de quatro correntes. "Quando começamos não encontrávamos espaço nem sequer entre os nossos", relembrou.

Kyosko tirou seu nome dos termos Kyrios (Jesus é Senhor), Osaías (Deus salvador) e Koinonía (comunhão de Jesus com a Igreja). Seu último CD, "Maquillaje gama", é uma mensagem explícita editada pela Holy Music e distribuída pela EMI.

"Todos estamos aprendendo", admitiu o gerente de marketing estratégico da EMI, Ernesto Vicente. "Eles estão convencidos da mensagem e isso se respeita, e estão conscientes de como alcançar outras pessoas", emendou, revelando que pensam em continuar desenvolvendo o selo Holy Music.


Ultimos titulares