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Sexta-feira, 9 de Novembro de 2007

Rosario Mayorga, jornalista peruana, trabalha no jornal La República. [Foto: Manuel Quintero]
Rosario Mayorga, jornalista peruana, trabalha no jornal La República. [Foto: Manuel Quintero]

Seminário enfoca mulheres e mídia

Manuel Quintero, QUITO, Ecuador, Dezembro 1, 2004

O seminário "Mulheres, gênero e meios de comunicação", organizado pela Pastoral de Mulheres e Gênero Taxi Heathrow Airport e o Departamento de Comunicação do Conselho Latino-Americano de Igrejas (Clai), reuniu, de 27 a 29 de novembro, nesta capital, 14 jornalistas e comunicadoras, de nove países.

O programa do seminário incluiu três estudos bíblicos sobre textos transformadores, liderados pela pastora Judith van Osdol, coordenadora da Pastoral de Mulheres e Gênero.

A partir de uma eloqüente e bem fundamentada análise dos encontros de Jesus com algumas mulheres - a sirofenícia Maria Madalena, a mulher que o ungiu, e a samaritana -, a pastora van Osdol destacou que, nos evangelhos, "todas as professores de Jesus foram mulheres"; mulheres que o desafiam a superar preconceito étnicos e religiosos.

Uma conferência sobre as novas tecnologias da informação e da comunicação e as estratégias das mulheres, a cargo da secretária executiva da Agência Latino-Americana de Informação (ALAI), Sally Bruch, possibilitou uma avaliação crítica da Internet e de vislumbrar formas para que as mulheres possam usar essa ferramenta no avanço da problemática de gênero.

Soraya Luján, da Bolívia, Amparo Beltrán, da Colômbia, e Susana Barrera, de El Salvador, dissertaram sobre suas experiências em torno da temática.

Dafne Sabanes, da Argentina, conduziu oficina intitulada "A notícia com olhos de mulher", possibilitando uma análise crítica de publicações seculares e cristãs a fim de determinar como as imagens e a linguagem continuam perpetuando a desigualdade de gênero, em detrimento da mulher.

Por uma feliz coincidência, as participantes assistiram a apresentação de "Maria Madalena, a mulher esquecida", obra da autora equatoriana Viviana Cordero e interpretada pela atriz Juana Estrella. A peça reivindica o papel de Maria Madalena como "a grande discípula do Senhor", e analisa a escondedura deliberada de sua figura desde os primeiro albores da Igreja cristã.

Ao final da peça as comunicadoras compartilharam com a autora Cordero e a atriz Estrella aquilo que estudaram e aprenderam sobre Maria Madalena nos estudos da pastora van Osdol.

Na avaliação do evento os testemunhos evidenciaram os primeiros e significativos frutos do seminário.

"O trabalho de gênero é um processo pessoal que entra em nossas vidas para nos revolucionar. Sempre teremos o desafio de desmontar uma linguagem incorporada em nossa história pessoal", disse a peruana Ibis Liulla.

Amparo Beltrán qualificou o seminário como um  "kairós", um momento de avanço para uma maior consciência de gênero, enquanto Tzeitel Allen, do Panamá, disse que a comunicação não é um trabalho, mas um ministério, e que a partir dos meios se pode chegar à mulher e ao homem e gerar transformações.

A equatoriana Verónica Flachier disse que "não há verdadeira comunicação se não se desnuda a alma" e que o seminário chamou-a a se "inserir na agenda nacional para convidar as igrejas protestante a levantar a voz".

Para a chilena Sara Ossa, "cada uma de nós é o meio principal para influenciar a partir da nossa comunidade e da nossa fé".

Soraya Luján afirmou que o seminário representou "um encontro com a comunicação libertadora, libertadora de paixões e experiências", e que para ela havia sido particularmente importante descobrir a trilogia "ecumenismo-sociedade-mulher" como matriz para suas futuros reportagens e noticias.

"Temos um ministério que é entregar a voz aos sem voz", sublinhou a peruana Rosario Mayorga e, agregando às suas palavras o sentimento de todas as participantes, acrescentou: "Nunca, como agora, a Bíblia foi tão atrativa para mim".