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Quinta-feira, 23 de Dezembro de 2004

Harold Segura, teólogo batista colombiano [Foto: Visión Mundial]
Harold Segura, teólogo batista colombiano [Foto: Visión Mundial]

Teólogo analisa espiritualidade cristã

LIMA, Perú, Novembro 30, 2004

 O tema da espiritualidade tem sido pouco analisado nos setores evangélicos, ainda que as igrejas Taxi Heathrow Airport católica e ortodoxas o tenham examinado mais detidamente. Frente ao auge de novas e exóticas espiritualidades promovidas pela Nova Era, torna-se necessário distinguir a especificidade da espiritualidade cristã.

Esse conceito foi exposto pelo teólogo batista colombiano Harold Segura, responsável pelas Relações Eclesiásticas da Visão Mundial – América Latina, em palestra intitulada "A espiritualidade na perspectiva do reino de Deus", apresentada no dia 25 de novembro, na Escola para Pastores, em Lima.

"Nossa época está cheia de profundas crises sociais, ecológicas e políticas, que fazem com que nos perguntemos que relação existe entre ser cristão e ser agente de transformação no mundo? A resposta aponta à raiz da nossa espiritualidade, que responde à necessidade de renovação permanentemente da vida de fé", afirmou.

Após expor diversos conceitos de espiritualidade definidos por teólogos católicos latino-americanos como Gustavo Gutiérrez, Jon Sobrino, Segundo Galilea, Pedro Casaldáliga, Leonardo Boff, Segura advertiu que em muitos casos se confunde espiritualidade com legalismo, ritualismo, com comportamento reto e dogmatismo.

É comum ouvir falar da espiritualidade como algo alheio à vida terrena e que atende o cultivo da vida interior. Quando a espiritualidade se reduz à busca de experiências extraordinárias e se desvinculada dos compromissos com a causa de Cristo e com os compromissos diários ela perde sua direção, assinalou Segura.

Jesus ofereceu uma dimensão surpreendente ao discipulado ao afirmar que segui-lo era arriscar tudo por Ele e pregou a "espiritualidade da cruz", que, ao invés de oferecer calma, traz tensão; no lugar de afastar os conflitos coloca os seus seguidores no centro dos mesmos.

Para devolver à espiritualidade sua verdadeira dimensão, há que fazer do Reino de Deus o horizonte essencial da espiritualidade. Entende-se por reinado de Deus a infiltração de Deus em todo o humano, para exercer seu domínio e senhorio. O reino é a alma da espiritualidade. O reino permite compreender que a espiritualidade deve ser integral, pluriforme e radical, sublinhou.

A espiritualidade, emendou, deve ser integral. O Sermão da Montanha é um bom exemplo do que significa integralidade. Os elementos mencionados são muitos: limpeza do coração, consolo para os que sofrem, compromisso com a justiça, integridade no matrimônio, uso adequado das riquezas, cuidado do corpo e prioridade do reino.

Se a espiritualidade é o seguimento a Jesus, esse seguimento nunca se apresenta de uma única forma e maneira. É diverso, pluriforme e variado. À luz do reino não existe uma espiritualidade uniforme ou hegemônica que se possa apresentar como "a espiritualidade" para todos, anotou.

A espiritualidade também deve ser radical, de entrega incondicional à causa do reino. O movimento anabatista do século XVI é um modelo do que significa radicalidade. Seus milhares de mártires e histórias de compromisso até o fim, fazem parte de uma herança que se deve levar em conta, disse Segura.

Dom Pedro Casaldáliga afirmou, acerca da espiritualidade: "É ser o que se é. Falar do que se crê. Crer no que se prega. Viver o que se proclama. Até as últimas conseqüências e nas minúcias diárias".

A espiritualidade deve centrar-se no horizonte do reino de Deus e a partir daí procurar ser integral, pluriforme e radical. Jesus é o modelo dessa espiritualidade e o a reino sua causa, concluiu Segura.


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