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Quinta-feira, 23 de Dezembro de 2004

Povos indígenas estão frustrados com política de Lula

BRASÍLIA, Brasil, Novembro 29, 2004

Manifesto de representantes de 35 povos indígenas expressa insatisfação com o governo do presidente Luiz Taxi Heathrow Airport Inácio Lula da Silva. Eles apontam omissão nos casos de violência, negligência pelos direitos constitucionais e falta de diálogo para a busca de uma nova política indigenista.

Nos últimos dois anos, frisam os líderes indígenas, 40 pessoas foram assassinadas, na grande maioria por causa da luta pela terra. "Passados quase dois meses deste governo, nos sentimos traídos porque as terras não estão sendo demarcadas, conforme promessas e compromissos da campanha", arrolam.

Sentindo a falta de interesse do governo em dar solução aos problemas que afetam áreas indígenas, fazendeiros, garimpeiros, grileiros, madeireiros e arrozeiros promovem invasões sistemáticas em terras que pertencem aos povos indígenas, destacam.

"Existia muita esperança no atual governo", confessam os representantes dos povos indígenas que estiveram presentes na Conferência Nacional Terra e Água, reunida em Brasília, dias 22 a 25 de novembro. Lembram que o Partido dos Trabalhadores (PT), do presidente Lula, sempre se posicionou de forma intransigente na defesa da causa indígena.

Os problemas continuam se arrastando. Nos Estados do Sul do país, o povo guarani luta pela demarcação das terras. No Nordeste, mais de 60 povos reivindicam a posse da terra. Eles teriam direito a 490 mil hectares, dos quais apenas 88 mil hectares estão em processo de regularização. No Centro-Oeste, terras indígenas são invadidas para a construção de hidrovias e introdução de grandes plantações de soja.

Os representantes indígenas constatam, perplexos, que a política energética do atual governo "mantém a mesma lógica das políticas anteriores, tendo como base a privatização das empresas e das águas, e a construção de barragens e hidrelétricas que destroem o meio ambiente, que inundam terras ancestrais, desalojando povos indígenas, comunidades de quilombolas e de pequenos agricultores", diz o documento.

Ao mesmo tempo em que o manifesto indígena reafirma a necessidade de fortalecimento das suas organizações e as alianças dos povos na luta pela terra, cultura e direitos constitucionais, o manifesto lamenta que o presidente Lula tenha priorizado, nos dois anos de governo, as relações com os setores oligárquicos dos Estados, com os políticos conservadores e com as elites do campo, das cidades e do sistema financeiro.

O manifesto pede a democratização da terra e da água, reforma agrária e uma sociedade mais justa, pluriétnica e pluricultural. O governo, diz o texto, "promove e incentiva a criação de comissões para discutir e pensar políticas para os povos indígenas, compostas por pessoas e autoridades que se manifestam contrários aos nossos direitos constitucionais".


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