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Sexta-feira, 10 de Dezembro de 2004

Rafael Goto, Roxana García Bedoya y Federico Arnillas impacto das igrejas no desenvolvimento social. [Foto: D. Favaro]
Rafael Goto, Roxana García Bedoya y Federico Arnillas impacto das igrejas no desenvolvimento social. [Foto: D. Favaro]

Fórum analisa incidência pública da Igreja

LIMA, Perú, Novembro 26, 2004

 No fórum "Igreja e incidência pública", iniciado ontem e que se estenderá até o sábado, Taxi Heathrow Airport nesta capital, três representantes de organizações não-governamentais destacaram a importância de ter uma visão de país e de consolidar os consensos para conseguir uma maior incidência nas políticas de desenvolvimento do Peru.

O fórum é organizado pelo Instituto de Estudos da Comunicação e pelo Centro Regional de Assessoria e Serviços (Creas). O evento quer propiciar o intercâmbio de experiências das igrejas na incidência pública, contribuir para a construção de uma estratégia que fortaleça a participação cidadã das igrejas, e avaliar o modo como os setores vinculados às igrejas evangélicas têm contribuído para o desenvolvimento nacional.

No painel de ontem sobre "Igreja, sociedade civil e sua incidência pública" o secretário executivo da Associação Nacional de Centro – Conferência Nacional sobre Desenvolvimento Social (Conades), Federico Arnillas, explicou que esse organismo busca pontos comuns e sinergias possíveis com outros setores sociais, como o Estado, os partidos políticos, as agências multilaterais, para a elaboração de propostas públicas que sejam passíveis de execução.

É necessário ter um programa, ser propositivo, pois não é possível construir apenas na base do protesto, disse. O protesto pode levantar um tema e obrigar o Estado a uma resposta, mas uma estratégia de verdadeira incidência pública deve basear-se em propostas que tenham uma visão de país e suporte ético, uma escala de valores como a vida, a justiça, a solidariedade.

No Peru, destacou, criou-se um clima geral de desconfiança. A relação entre os setores sociais são mais influenciados pela desconfiança e o confronto do que pela construção de níveis de confiança. "O povo desconfia de tudo", afirmou.

As feridas profundas produzidas nos anos 80 e 90 do século passado (terrorismo, hiperinflação, corrupção) aniquilam a idéia de futuro, somente o presente tem vigência. "Somos uma sociedade com traumas ainda não resolvidos", avaliou.

A secretária executiva da Mesa de Concertação para a Luta contra a Pobreza, Roxana García Bedoya, mencionou que 10% dos coordenadores nas mesas de concertação nas províncias e distritos peruanos são representantes de igrejas. Isso indica que num momento de crise a população recorre a pessoas que tenham bagagem moral e isso explica porquê o padre Gaston Garatea presida a Mesa.

Advertiu, contudo, que a autoridade moral e a confiança da sociedade nas igrejas trazem embutido o risco de que a população renuncie à sua participação na busca de soluções dos problemas. E que ela pense que, como existe uma instituição capaz de dialogar com as autoridades e buscar soluções, abandone a participação cidadã.

O diretor do Centro Cristão de Promoção e Serviços (Ceps), Rafael Goto, advertiu que os evangélicos cresceram até representar 14% da população peruana e que isso lhes dá representatividade e autoridade moral para incidirem na condução do Estado, na política e no futuro do país. Mas, disse, é preciso levar em conta que nesses 14% nem todos são evangélicos, nem protestantes.

"Já não somos uma igreja marginal e de catacumbas. Somos uma igreja de dimensão nacional, mas ser um setor social não significa ser um ator social, com perspectivas próprias e capazes de incidir na sociedade. Não dá para esquecer que o Peru é uma sociedade pluralista e que o tema da institucionalidade e representatividade da igreja não está resolvido. Inclusive há igrejas que ainda não assumem sua responsabilidade social de serem construtoras da cidadania", frisou Goto.

Ao invés de proclamar o lema de "Peru para Cristo", Goto propôs que se declarasse cristãos para o Peru e reconhecesse que os evangélicos devem confluir com outros na construção do país, mantendo sua identidade.


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