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Domingo, 28 de Outubro de 2007

Marco Murillo, líder de indígenas evangélicos [Foto: M. Quintero]
Marco Murillo, líder de indígenas evangélicos [Foto: M. Quintero]

Reforma política do Estado

Entrevista: Manuel Quintero, QUITO, Ecuador, Novembro 22, 2004

No início de novembro, o presidente da Federação Evangélica Indígena Nacional do Equador (FEINE), Marco Taxi Heathrow Airport Murillo, declarou para um canal de televisão que é preciso fiscalizar a gestão dos deputados no Congresso, o que lhe rendeu a acusação de "traição à pátria" por parte de um deputado.

Na terceira semana de novembro, manifestação na sede do Legislativo equatoriano de centenas de indígenas evangélicos comoveu a opinião pública, quando deputados de partidos da oposição acusaram a FEINE de se alinhar com o governo para dissolver o Parlamento.

Nessa entrevista concedida a Manuel Quintero, diretor de Comunicação do Conselho Latino-Americano de Igrejas (CLAI), o presidente da FEINE explica o que está por detrás dos acontecimentos.

Manuel Quintero: A FEINE deseja a dissolução do Congresso ou uma ampla reforma política?

Marco Murillo: Incomodou muito aos nossos irmãos declarações públicas minhas de reclamar do Congresso - sem desmerecer que isso foi vinculado a um suposto respaldo ao governo. Diz respeito, na realidade, a uma velha proposta que, como indiquei aos meios de comunicação, já fizéramos em agosto do ano passado, dizendo que é um problema estrutural e que não se trata somente de tirar um presidente ou um deputado.

 Essas entrevistas foram tomadas como ofensivas ao Congresso, consideradas como uma traição à pátria. O que dissemos é que essas declarações têm um contexto, que os três poderes do Estado têm que ser reformados. E ai há coisas que coincidem com o governo.

Manuel Quintero: O ministro de Governo também propôs a dissolução do Congresso e a convocatória de uma Assembléia Constituinte para realizar uma reforma política. Essa coincidência é meramente casual ou há um acordo entre a FEINE e pessoas do governo, que indica a intenção de marchar por um caminho conjunto?

Marco Murillo: Vejo divisões até no governo. Creio que a proposta do ministro de Governo é pessoal. No dia de hoje (19 de novembro) os deputados do governo votaram de forma rotunda contra essa proposta. Quero assinalar que não é uma proposta do governo.

Não conheço Jaime Damerval (ministro de Governo),nem sequer falamos por telefone. Quero destacar que é uma coincidência. Não descarto que possa ser uma estratégia do governo. Pode ser que a tenha feito como uma cortina de fumaça por um ministro que é muito hábil. Mas vimos em alguns meios de comunicação que a idéia tem uma aceitação muito ampla no povo equatoriano.

Manuel Quintero: É possível para a FEINE adiantar sua proposta de reforma do Estado sem o apoio de outras forças políticas e de setores da sociedade civil?

Marco Murillo: Creio que o debate nacional é importante, mas tenho que reconhecer que o povo equatoriano está desmobilizado, há uma apatia a respeito da proposta de tirar o governo, ou de reclamar do Congresso, porque se está polarizando o país.

Se alguém propõe alguma coisa, ou é governista ou é oposicionista. Eu vi uma boa aceitação nas pesquisas realizadas por meios de comunicação. Segundo essas pesquisas, cerca de 88% do povo equatoriano aprovam uma reforma política. Se o tema for colocado em debate, nós estaremos participando com propostas.

Manuel Quintero: Como planejam envolver nesse debate os membros da FEINE?

Marco Murillo: A FEINE vai realizar reuniões provinciais, para desenvolver uma nova estratégia, não prevendo apenas esse tipo de mobilização, mas de conversar, fazer assembléias e tratar de sair dessa polarização de ser qualificado como governista ou oposicionista, para posicionar-nos em algo que nos parece justo e que queremos apoiar.

Manuel Quintero: O juiz Pablo Coello está conduzindo o teu caso. Ele declarou que deves sentir-te tranqüilo e apresentar as provas do caso. O que vais fazer a respeito?

Marco Murillo: Um veículo de comunicação me perguntou: "Quem é teu advogado?" Minha resposta foi: "Primeiro, o amigo de cima". Realmente, nunca tive problemas legais, nem civis, pior ainda, penais, assim que nesse sentido estou desprovido. Mas com alguns irmãos estamos preparando uma defesa, porque a proposta carece de validade legal.

Um deputado levantou a acusação contra mim por traição à pátria, porque eu teria proposto dissolver o Congresso por meio da força, por meio das forças armadas, ou de conspirar e armar algum tipo de subversão. Por isso acredito que legalmente não há possibilidade de que essa acusação prospere.

Manuel Quintero: Como a fé te ajuda para enfrentar essa delicada situação?

Marco Murillo: Outro dia estávamos reunidos com os pastores e dissemos: "Vejam, fizemos tudo; Senhor, já não podemos mais, já chegamos ao limite até onde pudemos pensar com nossa mente e fazer uma estratégia para que não nos confundam uns com outros. Agora está em tuas mãos". Quando se chega a limites do que o homem pode fazer, é questão de colocá-lo nas mãos de Deus, e isso é o que temos feito, para alcançar os objetivos que a FEINE se propôs.