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Quinta-feira, 23 de Dezembro de 2004

Igrejas devem fazer mais para proteger crianças, diz ativista

GENEBRA, Suiza, Novembro 17, 2004

Voltado ao "Dia Mundial de Prevenção do Abuso às Crianças", agendado para a sexta-feira, 19, Taxi Heathrow Airport a ativista Ruth Lee, da seção da Ásia do Programa de Dignidade das Crianças, do Conselho Mundial de Igrejas (CMI), advertiu que as denominações religiosas poderiam e deveriam fazer muito mais, tanto no seu meio como na sociedade, para defender os menores.

Em artigo, Lee anota que a celebração tem por objetivo conscientizar, mobilizar a opinião pública, realizar ações e difundir informação sobre programas de prevenção aos abusos da infância.

Ela recorda, no entanto, que existe uma tendência a equiparar "abuso às crianças" com "abuso sexual às crianças", por causa da grande publicidade que esse caso recebe. Porém, se esquecem que o tema tem uma definição muito mais ampla e abarca a "violência, danos ou abusos físicos ou mentais, trato arrogante ou negligente, maltrato ou exploração, inclusive o abuso sexual."

Milhares de crianças são transportadas no mundo como mercadoria útil para o trabalho ou o sexo. Elas são obrigadas a trabalhar em minas ou fábricas perigosas ou a lutar em exércitos, experimentando os horrores da guerra. Muitas vivem nas ruas.

Crianças são separadas de suas famílias por causa da guerra ou do HIV/Aids, expostas à violência em seus próprios lares e escolas. Esses são casos de abusos dos quais apenas se ouve falar.

As igrejas e as instituições civis estão trabalhando no combate aos abusos como reação às muitas denúncias que as associam com abuso sexual contra crianças.

Porém, subsiste a dúvida inquietante se as igrejas colocaram-se realmente em marcha para proteger as crianças, ou se esse esforço é reflexo das constantes informações jornalísticas.

Tudo isso obriga a considerar, de uma perspectiva muito diferente, a pergunta: "As igrejas fazem bastante para proteger as crianças dos abusos?"

Por mais importante que seja a implantação dessa política de proteção, isso não significa que os abusos às crianças tenham sido prevenidos. "Prevenção" e "proteção" são enfoques interdependentes.

Além de estruturar mecanismos de proteção, as igrejas devem desempenhar um papel essencial, enfrentando os fatores que contribuem para o perigo do abuso às crianças. Entre esses perigos Lee menciona: estruturas sociais sexistas, economia, casta ou classe, guerras e conflitos, discriminação, situação familiar (ausência do pai ou da mãe, ou de ambos), dificuldades nas relações, problemas de depressão ou saúde mental, o lugar das crianças na sociedade em geral.

Talvez esse último ponto seja o mais importante. As crianças são especialmente vulneráveis à violência, à exploração e ao abuso por causa da sua vulnerabilidade perante os adultos e a dependência destes. Quando as condições são propícias para que os adultos utilizem mal sua posição de poder diante das crianças é quando elas sofrem os abusos.

Ruth Lee assumirá, em dezembro, o cargo de Oficial de Política Social na União de Mães do Reino Unido.


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