![Israel Batista, secretário geral do CLAI [Foto: M. Quintero]](/picture/Batista-Habana.jpg)
Igualdade religiosa abre novos horizontes para a democracia
Manuel Quintero, QUITO, Ecuador, Novembro 17, 2004
Os esforços das igrejas evangélicas em torno da igualdade religiosa são motivados pela convicção de Taxi Heathrow Airport que "uma nova lei de culto não é simplesmente uma busca de privilégios, mas uma busca de novos horizontes para a democracia na América Latina", disse o secretário geral do Conselho Latino-Americano de Igrejas (CLAI), pastor Israel Batista.
Na conferência que abriu a Consulta Andina sobre Igualdade Religiosa, reunido nesta capital de 17 a 19 de novembro, o pastor Batista recordou a definição de Estado sugerido pela Conferência de Igrejas de Oxford, em 1937, como "promotor da lei e servo da justiça".
A partir dessa perspectiva ele perguntou como o Estado pode cumprir a função de garantir a lei e servir à justiça quando a economia e o mundo financeiro ditam as leis e o comportamento dos governos.
"A discussão do tema do Estado em relação a igualdade de culto é um desafio para as nossas igrejas evangélicas, com o intuito de buscar espaços comuns de voz pública e responsabilidade social", destacou Batista.
Analisando o dever histórico do protestantismo no continente, o secretário geral do CLAI assinalou que "se o protestantismo histórico, como minoria insignificante, conquistou certa influência na sociedade, e muito tangencialmente em nível de Estado, hoje o mundo evangélico, como minoria significativa, tem possibilidades mais concretas de participação e intervenção na vida social e política de nossos povos".
Essas oportunidades, frisou, ocorrem no contexto de uma ruptura da hegemonia do catolicismo romano e de uma crescente pluralidade religiosa das sociedades latino-americanas.
O pastor Israel Batista explicou que existem setores do catolicismo preparados para aceitar essa situação, outros, às vezes com muito poder, tentam uma recuperação da hegemonia perdida. Porém, advertiu, essa história de oposição e tensão com o catolicismo não deve levar as igrejas evangélicas a considerar o tema da igualdade religiosa como algo puramente polêmico e antagônico.
"A proposta evangélica deve ser uma busca consensual de uma pluralidade em igualdade como aporte à democracia", sublinhou.
O líder ecumênico também rechaçou as pretensões de que a igualdade religiosa seja um tema exclusivo das igrejas evangélicas, e afirmou que a incapacidade para dialogar é um indício de insegurança e de sectarismo.
"Não pensemos que um reordenamento religioso da sociedade possa ser feito somente por evangélicos. Isso implica que temos que aprender a sentar-nos à mesa de negociação e diálogo com católicos romanos, judeus, representantes da religiosidade popular e outras religiões", disse.
Batista propôs a união de esforços para influir na esfera política, "não buscando poder, mas fermentando-a com valores éticos e morais, participando mais ativamente na tomada de decisões e na vida do Estado, e criando espaços para a influência das igrejas evangélicas dentro do Estado e da sociedade".
Participam da consulta, que aborda o tema da igualdade religiosa a partir de um ponto de vista jurídico, histórico e político, cerca de 60 delegados e delegadas de igrejas e organismos cristãos da Argentina, Bolívia, Colômbia, Chile, Espanha, Peru, Venezuela e Equador.

Portada
Início
Comenta este artigo