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Domingo, 8 de Maio de 2005

Encontro analisa trabalho da igreja com crianças e adolescentes

Carlos Pinto, SÂO PAULO, Brasil, Novembro 11, 2004

Os problemas da infância e da adolescência foram analisados, de 1 a 5 de novembro, em Campinas, São Paulo, por 180 representantes de igrejas e organizações evangélicas de 21 países latino-americanos e do Caribe.

O encontro, do qual participou um representante do UNICEF, foi coordenado pelo Movimento Cristão Juntos pela Infância, conformado regionalmente por Compaixão Internacional, Cristo para a Cidade, Tearfund e Visão Mundial, e congregou organizações que trabalham na defesa, proteção e promoção dos direitos da infância.

Entre as temáticas discutidas destacam-se: A situação da infância e adolescência na América Latina, perspectivas e estratégias do "Movimento Juntos pela Infância", Marco bíblico-teológico do trabalho com a infância e adolescência em risco.

O diretor do UNICEF para a América Latina, Nils Kastberg, assinalou que a exclusão dos grupos indígenas e afrodescendentes desencadeia altas margens de desequilíbrio no desenvolvimento da infância.

"De 510 milhões de latino-americanos, 200 milhões são indígenas ou  afrodescendentes. Que lugar tem essa população na nossa agenda?" - questionou.

Kastberg indicou que o abuso sexual está provocando um crescimento sem precedentes na expansão da epidemia de AIDS. Somente na Colômbia, 35 mil casos de violência contra crianças são denunciados a cada ano. Lamentavelmente, "a família se constituiu no principal agressor, e o silêncio está perpetuando uma grande impunidade", enfatizou Kasberg.

O Movimento persegue como estratégia a mobilização da igreja evangélica na América Latina e no Caribe, com o propósito de sensibilizá-la, desafiando-a a um maior compromisso com a sobrevivência, a proteção e o desenvolvimento da infância e da adolescência na região.

O objetivo do evento foi o de potencializar o trabalho da igreja latino-americana, através do fortalecimento das iniciativas e redes de trabalho que vêm se formando nos últimos anos, indicou a Secretaria Técnica do evento, presidida por Alfredo Mora, representante da Rede Viva para a América Latina.

Durante três dias de diálogo e intercâmbio de experiências ficou comprovado que o tema da infância mobiliza a agenda pública, e a igreja está assumindo pró-ativamente o seu papel missiológico na questão da vulnerabilidade da população menor de 18 anos.

Os dados indicam que 58% das crianças menores de 5 anos são pobres (CEPAL), que 190.000 crianças morrem por ano vítimas de enfermidades preventivas ligadas à pobreza (OPS), e que 22 milhões de menores de 14 anos trabalham (OIT).


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