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Quinta-feira, 11 de Novembro de 2004

Cristãos pela paz emitem mensagem de esperança

BOGOTA, Colombia, Novembro 1, 2004

O projeto de estado comunitário e de segurança democrática do governo colombiano está desmontando o Taxi Heathrow Airport direito de propriedade coletiva da terra e a autonomia das comunidades, denunciou o Encontro Continental de Cristãos e Cristãs pela Paz com Justiça e Dignidade, que se reuniu de 30 de outubro até hoje nesta capital.

Tal política só é sustentável com uma forte repressão contra os movimentos sociais e de resistência, expressada nos últimos anos por uma estratégia páramilitar que está produzindo o deslocamento maciço de populações, atentando contra a vida de pessoas, contra culturas e tecidos sociais, diz a declaração final do encontro.

Esse quadro leva a uma degradação do conflito armado, que afeta cada vez mais camadas da população civil. As mulheres são vítimas de todos os atores armados, submetidas a todo tipo de abuso. Seus corpos são utilizados com botim de guerra, sem importar a idade. Jovens, crianças e adolescentes são recrutados à força por grupos armados, denuncia o texto.

O fato de ser jovem e pobre é estigmatizado e criminalizado, convertendo-se em vítima de ações de "limpeza social", situação que se agrava no caso de o jovem ser negro. O deslocamento forçado na Colômbia é de tal magnitude que é considerada a segunda crise humanitária no mundo, arrola o documento.

O encontro foi convocado pela Confederação de Religiosos da Guatemala, Igreja Presbiteriana da Colômbia, Rede Ecumênica da Colômbia, Centro Nacional de Comunicação Social (Cencos) do México, organismos do Equador, e por organizações católicas.

O documento acusa a implantação de medidas neoliberais e de ajuste estrutural como ampliadora da brecha entre poucos ricos e muitos empobrecidos. Como conseqüência de tais medidas, em alguns lugares, como Buenaventura, na costa do Pacífico, o desemprego da população é de 80%.

Esse mesmo sistema se vale de estratégias militares legais e ilegais como meio para expropriar as populações de seus territórios. Os recursos naturais são entregues a corporações privadas nacionais e multinacionais. É o caso, por exemplo, de comunidades indígenas, de camponeses e de afrodescendentes do Pacífico, que estão sendo despojadas de seus territórios para a construção de megaprojetos e para cultura de palma africana.

O mesmo acontece em nível mundial. Os direitos humanos e dos povos estão sendo submetidos aos interesses econômicos de poderosos, valendo-se de organismos multilaterais, como o Fundo Monetário Internacional, a Organização Mundial do Comércio e o Banco Mundial. São eles que determinam as políticas que os países devem seguir, passando por cima das constituições nacionais, arrola o documento.

Um exemplo disso é o projeto da Área de Livre Comércio das Américas (Alca), que "nossos governos adiantam sem consultar as organizações e comunidades". O documento também denuncia a corrupção, que serve para "facilitar a imposição dessas políticas diabólicas".

O outro instrumento usado é a militarização e os páramilitares. "É de tal magnitude o domínio e a arrogância desse império do mal que ele se erige como deus para exercer controle sobre todo o povo, língua e nação", assinala o encontro de cristãos, que qualificou esse quadro de "realidade de pecado que nos indigna como povo de Deus".

O documento destaca que Jesus ressuscitado "nos inspira" a reafirmar o valor absoluto da vida, e a rechaçar todos os sacrifícios humanos e da natureza que hoje cometem as forças do mal. Os cristãos participantes do evento se sentem, contudo, interpelados a viver "uma espiritualidade da esperança", pois compartilharam, no encontro, experiências da recuperação do protagonismo político dos povos.

As marchas de indígenas na Colômbia, Equador e Bolívia, o movimento social de mulheres contra a guerra na Colômbia, a produção agrícola camponesa alternativa livre de químicos, as leituras específicas da Bíblia são "kairós" de algo novo, que o Espírito pôs em marcha e que vêm crescendo.

Isso tudo produz frutos de cores, sabores, cheiros e texturas que reivindicam a vida, tecendo laços inclusivos que são a antecipação da plenitude do Reino, onde há espaço para todos, conclui a declaração.


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