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Sexta-feira, 5 de Novembro de 2004

Rev. Nélida Ritchie, bispa da IEMA [Foto: EEE]
Rev. Nélida Ritchie, bispa da IEMA [Foto: EEE]

Metodistas concordam com educação sexual na escola

BUENOS AIRES, Argentina, Outubro 22, 2004

 A Igreja Evangélica Metodista Argentina (Iema) concorda com o projeto, que está em discussão no Taxi Heathrow Airport parlamento da cidade autônoma de Buenos Aires, e que introduz curso de educação sexual nas escolas da capital.

Em carta aberta, publicada ontem, a Iema diz que a educação é necessária onde o ser humano, em toda a integridade, está no centro, "superando os fetichismos do dinheiro e do corpo- mercadoria, do prazer sem responsabilidade nem solidariedade".

Os metodistas também entendem que é preciso superar a negação da sexualidade como suposta santidade, "deixando para trás o obscurantismo de enfrentar os problemas tapando-os". A declaração é assinada pela pastora Nelly Ritchie, bispa da igreja.

A posição dos metodistas difere do posicionamento manifestado na semana passada pela Federação Aliança Cristã de Igrejas Evangélicas da República Argentina (Faciera), que se opõe à criação desse curso, alegando que a educação sexual das crianças deve dar-se no seio da família, conforme suas convicções, sem ingerência do Estado.

Faciera sustenta que esse curso vai ensinar que a conduta de homossexuais e lésbicas é normal, e que as escolas cristãs serão obrigadas a partilhar tal ensinamento, porque será lei.

A Iema lembra que as igrejas evangélicas foram pioneiras na América Latina "na luta por uma educação aberta, gratuita e pública", e caracterizaram a ignorância, as superstições e os vícios como inimigos a serem derrotados.

"Muitas de nossas missões levaram escolas a lugares onde o Estado não chegava, numa atitude de serviço humilde, e com pleno respeito às crenças de todos", frisa o texto. Destaca, também, que a partir da fé complementavam a educação da escola na igreja e na família crente.

Fiéis a esse espírito, os metodistas apoiam a possibilidade de se incluir nas escolas argentinas a educação sexual, como espaço de informação e clarificação, superando as deformações e obscurantismos; como oportunidade para esclarecer atitudes e condutas de convivência sadia; e como exercício a mais de compreensão e respeito às diferenças.

Os metodistas têm claro que, a partir da identidade de fé, "podemos contribuir com elementos e valores para uma rica discussão, positiva e propositiva, sobre educação sexual em nossas escolas, discutindo, corrigindo e enriquecendo os projetos até agora apresentados e as novas propostas".


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