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Sexta-feira, 5 de Novembro de 2004

Evangélicos criticam ingerência da OEA em assuntos internos

Trinidad Vásquez, MANAGUA, Nicaragua, Outubro 20, 2004

Líderes evangélicos pronunciaram-se a favor da ordem institucional da Nicarágua e criticaram a intromissão da Taxi Heathrow Airport Organização dos Estados Americanos (OEA) em assuntos internos que os próprios nicaragüenses devem procurar resolver.

Os funcionários do Conselho da OEA, o norte-americano Luigi Einaudi, que está interinamente na Secretaria Geral da entidade, e Aristides Royo, estão reunidos desde a segunda-feira, 18, com o presidente da República, Enrique Bolaños, com deputados, magistrados da Corte Suprema e dirigentes dos partidos Liberal, da Aliança Pela República e da Frente Sandinista.

Depois dos primeiros encontros, Royo declarou que a crise da Nicarágua prejudica os investimentos e a economia nacional.

Líderes do Conselho de Igrejas Evangélicas Pró Aliança Denominacional (Cepad) qualificaram a presença dos funcionários da OEA como uma intromissão em assuntos que o governo deve buscar resolver internamente.

O presidente da Universidade Evangélica Nicaragüense (Uenic), William González, disse que a crise política e econômica deve ser resolvida com muito rigor e respeito ao direito. "Não vejo com bons olhos a presença da OEA, porque na Nicarágua, até hoje, não se esgotou a ordem constitucional", afirmou o líder evangélico.

O presidente do Conselho Nacional de Pastores Evangélicos da Nicarágua (CNPEN), Norman Marenco, manifestou-se a favor da ordem institucional e convocou as igrejas a realizarem jornadas de oração, para que Deus ilumine os governantes e políticos, e para que a estabilidade se restabeleça.

Marenco afirmou que, conforme a Constituição, ninguém pode destituir o presidente da República. Ele criticou que o governo tenha pedido a intervenção da OEA, que, entende, é contrária aos direitos democráticos pelos quais estão lutando.

O dirigente do Centro Nicaragüense dos Direitos Humanos (CENIDH), Gonzalo Carrión, advertiu que o presidente Bolaños deve prestar contas ao povo.

Carrión agregou que a comunidade internacional, particularmente a OEA, deve respeitar a integridade da nação. Ele ressaltou que enquanto houver pobreza, analfabetismo e baixos níveis de desenvolvimento humano, existirão fatores que repercutirão negativamente na consolidação da democracia e que, sem ela, não pode haver um exercício efetivo dos direitos humanos.

A crise da Nicarágua é ocasionada pelo presidente Bolaños, que se nega a prestar contas às instâncias pertinentes. Sua mensagem da segunda-feira passada, quando tratou de refutar as acusação contra ele, não convenceu. Ao término, transformou-se num discurso político em que pediu ao povo para que não vote nos partidos dos caudilhos no próximo dia 7 de novembro, disse Carrión.


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