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Sexta-feira, 5 de Novembro de 2004

Globalização não tem capacidade de destruir a Igreja, diz Sínodo da IERP

ASSUNÇÃO , Paraguay, Outubro 20, 2004

Apesar dos temores e do empobrecimento geral, comprovou-se que "a Igreja é a única instituição Taxi Heathrow Airport que não pode ser destruída pela globalização neoliberal", diz declaração da Igreja Evangélica do Rio da Prata (IERP).

A IERP está presente na Argentina, no Uruguai e no Paraguai. Ela reuniu-se em Sínodo dias 9 a 11 de outubro, na localidade paraguaia de Hohenau.

O Sínodo também enviou mensagem de condolência e solidariedade à Igreja Evangélica Luterana da Bolívia, pelo falecimento de seu pastor presidente, Humberto Ramos Salazar, mais dois pastores e voluntária da Alemanha que com ele viajavam em carro, quando se acidentaram, no dia 7 passado.

A mensagem final da XXXVI Conferência Sinodal e XIII Assembléia Geral Ordinária da IERP declara que, apesar dos temores e tabus que se desprendem do tema "Fé e economia: dois rostos, um olhar", este Sínodo se desenvolveu num marco de alegria, no qual não faltou a música e o canto, a oração e a Palavra de vida.

A mensagem assinala que o empobrecimento generalizado produzido pela globalização neoliberal, e cujas conseqüências sofrem diariamente as comunidades de fé, famílias e todos os estratos, é resultado de um modelo econômico que vê a pessoa somente como um "sujeito de consumo".

Nesse sentido, assinala a mensagem da IERP, "estamos conscientes de que seus efeitos nos têm atingido também na maneira de 'sentir-nos igreja', no sentido de corpo que deveríamos ter, e em nosso caminhar - juntas e juntos -na busca de um destino comum".

No entanto, prossegue, através das palestras, informes e trabalhos em grupo, o Sínodo comprovou que "a Igreja é a única instituição que não pode ser destruída pela globalização neoliberal, porque é parte de um só corpo".

Esse é o espírito que deve ser preservado, fortalecido e defendido, procurando a maneira de pensar e buscar juntos alternativas que ajudem a crescer nessa direção, indica o texto.

O Sínodo declara que talvez uma dessas alternativas seja a flexibilização da rigidez dos sistemas de contribuições, que são para muitos membros das comunidades, especialmente os jubilados, uma pesada carga para sua vida e para sua fé.

"Devemos nos animar e sentir que somos parte de um mesmo corpo, que pretende fazer frente ao que já temos anunciado e denunciado no Sínodo de 1995, ou seja, que esse sistema é perverso e contrário ao Evangelho de Cristo."

Convencidos de que nem tudo está perdido e de que é possível anunciar e viver o verdadeiro evangelho do serviço a Deus e não às riquezas, "devemos unir nossos esforços e lutar por um sistema globalizado que esteja liberto das ataduras neoliberais, e que cada um tenha um lugar, sem exclusão, marginalização ou discriminação", recomenda.

A Palavra de Cristo compromete ao anúncio de novo céu e nova terra para toda a criatura. Ainda resta muito a fazer, muito por dialogar, muito por transformar. "Sendo parte do corpo de Cristo somos sinal de esperança para este mundo desesperançado", conclui a mensagem.


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