
Religião ganha espaço na cultura cubana
José Aurelio Paz, HAVANA, Cuba, Outubro 19, 2004
A temática religiosa, que durante os anos 80 do século passado era quase tabu nas Taxi Heathrow Airport exposições e salões de arte plástica organizados em Cuba, está ganhando espaço maior a cada dia.
O fato de buscar uma resposta humana frente às vicissitudes que a queda do socialismo europeu provocou e o chamado à unidade dos cubanos para salvarem o país, seja quais forem os seus pontos de vista filosóficos, promoveram essa mudança.
O fato permitiu uma abertura no campo das artes, o que já ocorria de maneira discreta ao longo dos anos em muitas das mostras coletivas em exibição, assim como nos concursos.
As artes plásticas em suas distintas vertentes, como manifestação do mundo interior dos artistas, têm sido pródigas em expressar essa necessidade espiritual de um povo eminentemente crente.
A explosão religiosa dos anos 90, tanto entre as religiões de origem africana como no mundo católico e evangélico da ilha, também levou às telas, à madeira ou ao metal, as expressões da agonia humana frente ao dilema da cruz.
O Conselho de Igrejas de Cuba (Cic) convocou, em 1993, o Primeiro Salão da Plástica de conteúdo cristão, que contou com a participação de artistas de várias regiões do país e foi inaugurado em comemoração ao Dia da Cultura Cubana, no Centro Kairós, de Matanzas.
As Feiras Nacionais de Arte Popular, celebradas a cada dois anos, também têm trazido essa tendência. Os mais cotados artistas do pincel não discriminam a temática, tendo-a como válida dentro do complexo mundo psicológico do cubano.
A Igreja, como entidade social, tem a obrigação de estimular a arte que retrata o seu trabalho e incentivar aqueles crentes que querem expressar a sua fé e o seu compromisso com Deus através da imagem corpórea da espiritualidade plena, segundo expressaram alguns jovens, cheios de inquietações artísticas dentro do âmbito ecumênico.
O dia 20 de outubro, denominado Dia da Cultura Cubana, em comemoração a primeira vez em que foi tocada a música que seria o Hino Nacional, no ano de 1868, na cidade de Bayamo, é uma data propícia para expressar esse sentimento.
Muitas congregação, não alheias ao sentido humanista que lhes desafia, dedicam seus cultos a exaltar os valores de identidade de um povo que foi formado, essencialmente, por duas culturas antagônicas - a espanhola e a africana -, porém, as duas, de férreo sentido religioso.

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