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Sexta-feira, 5 de Novembro de 2004

Walter Altmann, presidente da IECLB [Foto: S. Buchweitz]
Walter Altmann, presidente da IECLB [Foto: S. Buchweitz]

Tarefas claras no supermercado religioso

SAO LEOPOLDO, Brasil, Outubro 15, 2004

O Brasil é o chão da Igreja Evangélica de Confissão Luterana (IECLB), que tem peculiaridades Taxi Heathrow Airport específicas. Ela não procura no supermercado religioso um "modelito novo" para vestir, "mas conhece suas tarefas e quer continuar atuando com responsabilidade total", disse o presidente do Conselho da Igreja, Luis Artur Eichholz.

A palavra do presidente do Conselho abriu, ontem, a sessão de trabalhos do XXIV Concílio Geral da IECLB, reunido de 13 a 17 de outubro em São Leopoldo.

O pastor presidente, Walter Altmann, frisou no relatório que apresentou aos 130 delegados dos 18 Sínodos da igreja, o crescimento do contingente evangélico num cenário religioso cada vez mais plural. Hoje, 26 milhões de brasileiros, 15,4%, da população são evangélicos.

Alertou, contudo, que pouca atenção vem sendo dada ao significativo crescimento do número de pessoas que se declaram "sem religião", cerca de 12,5 milhões de brasileiros, segundo o Censo de 2000, "e isso numa época em que a oferta religiosa se multiplicou e proliferou.

 O número dos "sem-religião" é especialmente significativo entre os jovens. Altmann desafiou a IECLB a ser igreja também para os desalentados pela grande oferta religiosa no país.

Jogando os olhares para o cenário internacional, o presidente da IECLB mencionou no relatório a globalização econômica e a expansão do comércio mundial, "mas com todas as suas distorções e desigualdades", que, aliás, vêm crescendo a cada período. Para demonstrá-lo, Altmann recorreu às palavras que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva proferiu na Assembléia das Nações Unidas, em 21 de setembro passado.

Lula destacou, então, que "em 1820, a diferença de renda per capita entre o país mais rico e o país mais pobre do planeta era inferior a cinco vezes", enquanto que hoje "essa diferença é de 80 vezes"! Altmann qualificou a situação no Iraque de "caótica" e que ela revela, cada vez mais, que a violência gera violência, não a paz, muito menos a justiça. "O unilateralismo é uma das ameaças mais graves a pairar sobre o destino dos povos", apontou.

Voltando-se ao cenário nacional, o presidente da IECLB salientou que é notória a desigualdade social e a concentração de renda. Mesmo que o Brasil tenha alcançado significativo superávit na sua balança comercial, os ingressos daí auferidos têm sido destinados quase que integralmente ao pagamento do serviço da "monumental dívida externa e interna brasileira".

O pastor líder dos evangélicos-luteranos entende que as igrejas podem desempenhar papel relevante na participação construtiva e crítica da cidadania e dos movimentos sociais "através da vigilância profética e na formação da consciência cidadã".

Altmann admoestou, contudo, que na esfera social e política as igrejas devem resistir à tentação de buscar benefícios institucionais, para se colocarem, decididamente, a serviço dos anseios e das necessidades da população. "Não atuamos em causa própria, pelo menos não deveríamos fazê-lo. Somos seguidores de Cristo e, como tal, anunciadores e praticantes de uma Boa Nova de libertação, que não provém de nós", destacou.

O relatório revela a preocupação da presidência com a prática do rebatismo, aplicada pelo movimento carismático. O rebatismo, destacou Altmann, "fere a base confessional e as diretivas da IECLB". Ele reconhece, contudo, que medidas disciplinares não vão resolver a questão, mas a prática requer "um difícil e intenso processo de diálogo teológico". Assim, o tema da unidade confessional ganha extraordinária relevância na IECLB, arrolou.

Hoje, um terço dos recursos que são geridos pela sede da IECLB destina-se a projetos missionários. Também o trabalho missionário não é isento de perigos, como ficou claro com a morte da diaconisa Doraci Julita Edinger, assassinada em Nampula, Moçambique, onde atuava desde 1998.

"Sua morte, dolorosa como foi e como continua sendo, constitui também a página de maior dignidade da história da IECLB", mencionou o pastor presidente no relatório apresentado ao Concílio.

Altmann confessou que nenhum outro assunto ocupou tanto o tempo da presidência neste ano quanto o acompanhamento das investigações em curso em Nampula. Mas não teve nenhuma novidade a apresentar aos conciliares quanto aos resultados dessas investigações, assim que autores e motivações do crime não foram desvendados ainda.

Frisou, contudo, que a posição da IECLB tem sido clara: ela quer que, qualquer que seja a verdade, o crime seja esclarecido, e os responsáveis levados à justiça.


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