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Sexta-feira, 5 de Novembro de 2004

Bambarén não é citado em processo por difamação ao cardeal Cipriani

LIMA, Perú, Outubro 11, 2004

O processo e os implicados na suposta falsificação de cartas que atribuíam ao arcebispo de Taxi Heathrow Airport Lima, o cardeal Juan Luis Cipriani, participação em assunto de corrupção no regime do ex-presidente Alberto Fujimori, entrou hoje na etapa judicial de interrogatório dos acusados.

A titular da Segunda Vara Penal de Lima, Ana Vásquez, resolveu excluir do processo o bispo de Chimbote e ex-presidente da Conferência Episcopal Peruana, Luis Bambarén. Ele foi apontado pela promotora Mirtha Salinas de estar envolvido em complô, junto com o então ministro da Justiça e atual embaixador do Peru na Espanha, Fernando Olivera, com o objetivo de macular a imagem de Cipriani.

A inclusão de Bambarén, uma das mais respeitadas personalidades da Igreja Católica peruana, na acusação da promotoria originou protestos de diferentes setores da sociedade.

A juíza Vásquez reconheceu que, segundo as provas apresentadas, Bambarén não poderia ter-se reunido com Olivera em Lima, no início de outubro de 2001, pois nessa época ele se encontrava no Vaticano para participar de reunião de bispos latino-americanos com o papa. Naquele mês, Olivera viajou a Europa e levou as cartas atribuídas a Cipriani e ao núncio apostólico Rino Passigato, para consultar a Santa Sé sobre a autenticidade das mesmas. O Vaticano disse que as cartas eram falsas.

Trata-se de duas cartas em que, supostamente, Cipriani e Passigato pedem doações ao sinistro assessor de Fujimori, Vladimiro Montesinos, e outra em que Cipriani pede ao então presidente interino Valentín Paniagua que queime todos os vídeos em que apreçam o cardeal com personagens do corrupto governo de Fujimori.

O processo incrimina o bispo de Puno, Jorge Carrión, acusado de ser o autor intelectual das cartas falsificadas, um ex-funcionário da Conferência Episcopal Peruana, chamado Juan Rojas Saavedra, especialista em informática, que teria usado partes de cartas autênticas para a falsificação, e o ex-assessor do Ministério da Justiça, Augusto Dammert.

Todos os mencionados, assim como Cipriani, o ex-presidente Paniagua, Olivera e o próprio Montesinos serão chamados a depor perante a juíza nos próximos dias.


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