
Evangélicos diante lei de matrimônio gay
Manuel López, MADRI, España, Outubro 11, 2004
A aprovação pelo governo Zapatero na sexta-feira, 1 de outubro, da reforma que permitirá na Taxi Heathrow Airport Espanha o casamento de casais homossexuais e a adoção desatou de novo o velho – e não resolvido – debate na Igreja Evangélica sobre o tema da homossexualidade.
Talvez inclusive, e afinando mais, a iminente lei – por outra parte, uma promessa eleitoral do Partido Socialista claramente definida, como foi a da retirada das tropas espanhóis do Iraque – esteja provocando indiretamente a manifestação de duas igrejas: da Protestante, o estancado contingente histórico, e da Evangélica, o crescente conglomerado neopentecostal e carismático.
As encontradas posturas dos dois blocos – coisa por outra parte nada nova; quem assina isso já manifestou em "A Espanha protestante", livro publicado em 1976 – que se recrudescem diante de temas candentes, como podem ser a infalibilidade da Bíblia ou a "reta" sexualidade para o bloco evangelical conservador, ou a livre interpretação das Escrituras e a cultura protestante da tolerância, tal como se entende a partir do bloco liberal histórico.
São essas posturas divergentes que tornam totalmente impossível uma Declaração da Federação das Entidades Religiosas Evangélicas da Espanha (Ferede).
Mas tampouco é certo que todas as instituições estejam olhando para o outro lado quando o país espera um posicionamento religioso alternativo à da hierarquia da Igreja Católica.
De conhecida tendência conservadora – mas de igual respeitabilidade como qualquer outra de tendência liberal - a Aliança Evangélica Espanhola (AEE) acaba de tornar público um comunicado de imprensa no qual diz entender "a necessidade de assegurar o direito a uma igualdade jurídica de todos os cidadãos".
E, nesse sentido, advoga por "uma equiparação dos direitos civis de todas as pessoas, à margem de sua orientação sexual". Ao mesmo tempo, manifesta-se "radicalmente oposta" à adoção por parte de casais homossexuais.
Não parece fora de propósito tal afirmação, uma vez que recente pesquisa do organismo de estatística oficial, CIS, mostrou que 37,6% dos espanhóis estão "pouco" e 39,2% "nada" de acordo a que "o casal homossexual garanta melhor o bem-estar das crianças".
A emoção do desenvolvimento do debate parlamentar está posto. A saber, como explicam os líderes evangélicos espanhóis o conflito entre o legal e o moral à luz de alguma outra pasagem-tabú, como pode ser o das relações de "algo mais" do que amizade entre Davi e Jônatas, em II Samuel 1,26.
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Manuel López, é jornalista, diretor da Revista Foto, colunista de "Protestante Digital" e membro da Primeira Igreja Batista de Madrid.
Especial para NEV/FCEI (Noticiário Evangélico da Federação de Igrejas Evangélicas da Itália. Publicado como editorial na edição de 7 de outubro de 2004).

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