
Arte religiosa ou arte comercial?
Tomás Gómez, SANTO DOMINGO, República Dominicana, Outubro 5, 2004
Numa sociedade onde a arte é um produto de consumo, é normal que, na medida Taxi Heathrow Airport em que as produções artísticas domésticas tenham aceitação coletiva, passem a fazer parte da oferta que se coloca no mercado.
A arte que se inicia nas igrejas, de modo muito específico a música e o canto, surge espontânea e com a pretensão específica de ser parte do culto que se oferece ao Senhor. É a demanda de um público que quer o gozo da imagem e o talento do artista o que pressionam a comercialização.
Hoje, a linha que delimita, em termos de consumo, a arte sacra da arte comercial é pouco definida. Muitos dos grandes artistas do rock norte-americano surgiram nas igrejas cristãs. As ofertas metálicas, o chamado da fama e o luxuoso mundo da arte, fizeram declinar o compromisso de fé de muitos jovens que deram seus primeiros passos musicais nos coros e grupos da igreja.
Na medida em que a arte, ou melhor, a música da igreja, conseguiu maior demanda, foram sendo criadas as condições para a profissionalização dos cantores e grupos que estavam instalados nas igrejas.
A multiplicação dos meios de comunicação religiosos contribuiu para a massificação da música evangélica, e assim nasceram as megaestrelas religiosas que hoje gozam de vantagens econômicas, melhores ou similares a de qualquer cantor ou músico secular.
Essa massificação favoreceu a difusão da mensagem de fé e contribuiu, sem dúvida, para que a vida religiosa fosse vista de forma mais prática e acessível para todo o público.
Dessa forma, foi sendo construído a partir das igrejas a escada que conduz à fama e à fortuna. De algema forma, essa motivação afetou a prática litúrgica desenvolvida nas igrejas.
Nos países latino-americanos a história não tem sido diferente. Quando a arte não era um produto comercializado, as igrejas geravam músicos e cantores que se apresentavam de forma espontânea.
Tudo se manteve assim até o surgimento das emissoras e se multiplicaram os estúdios de gravação. Dessa forma, o cantor local transformou seu talento num produto e assim surgiu a arte comercial de feitura religiosa que temos nos dias de hoje. Essa realidade favoreceu a difusão da mensagem, como já apontamos, porém tem deixado marcas na identidade e busca da missão essencial da igreja.
Num dado momento, a comercialização da arte cristã pareceu saudável e necessária. No entanto, essa realidade permite um marco de análise que coloca na mesa a pergunta: A serviço de quem e de quê está a arte da igreja?
A arte evangélica, em grande medida, está a serviço dos consumidores para benefício de quem a produz. Essa seria uma resposta aceitável. No entanto, é bom notar que em nossas igrejas resta muito da arte espontânea, dessa arte expressiva e sensível, desenvolvida por pessoas que adoram a Deus com toda liberdade sem que meçam outra recompensa a não ser atrair sua presença para a congregação.
O que tenho tentado fazer é uma sumária descrição mais ou menos de caráter social. Não quero categorizar nem estigmatizar ninguém porque o sistema paga os seus atributos ou talentos artísticos.
Considero que existe uma dimensão da arte eclesial que não tem sido aproveitada em toda a sua dimensão. Refiro-me à oportunidade que a igreja tem de conectar o artista com a vida e o sentir da comunidade.
Ligados ao trabalho de base da igreja os grupos artísticos ou os artistas individuais têm a possibilidade de se constituírem na expressão e no sentir espontâneo das pessoas que vivem na comunidade. Os artistas, em vivo intercâmbio com as pessoas, enriquecem-se da cultura e os valores da comunidade, e substanciam sua manifestação com seus talentos criativos.
Falamos da arte da comunidade, da arte do povo ou do bairro. Não estamos falando da arte comercial que faz artistas à imagem e semelhança de uma sociedade extravagante e consumista.
A arte comunitária conserva o sabor do povo, é a expressão sincera e simples de sua gente. É a arte com que se pode cantar nos bairros e nos campos, e que hoje reclama uma recuperação.
É nosso compromisso a busca e a aproximação a valores sadios que exaltem a vida familiar, a solidariedade humana, o amor a Deus e os apelos de uma comunidade na qual seus signos mais relevantes sejam a paz e a justiça.
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Tomás Gómez, é jornalista. Trabalha na Visão Mundial - República Dominicana. .

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