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Quinta-feira, 3 de Novembro de 2005

O educador está bem próximo de Deus, diz jornalista

SAO LEOPOLDO, Brasil, Outubro 4, 2004

O ato de educar está próximo da divindade, pois se trata de um ato criativo, Taxi Heathrow Airport pela palavra. Educar está ligado ao verbo, à geração de vida. "Como bem lembra o Evangelho de São João, no princípio sempre vai ser o verbo", disse o jornalista Gilberto Dimenstein em palestra, quinta-feira, 30 de setembro, na Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos).

O colunista da Folha de São Paulo e presidente da "Cidade Escola Aprendiz", ONG que atua na pesquisa, desenvolvimento e disseminação de novas metodologias de ensino e aprendizagem, falou para diretores de escolas de Ensino Médio da Região Metropolitana de Porto Alegre, a convite da Unisinos. Ele destacou na palestra que a ignorância é a ausência do verbo.

Educar, definiu, é ensinar o encanto da possibilidade. Assim, a escola deve ser a casa de sonhos, a casa de administração da curiosidade. "Pessoas sem sonho são pessoas sem orientação, que não têm entusiasmo, não desenvolvem perspectiva de vida e caem nas drogas", afirmou. A chave para a aprendizagem é a paixão como forma de inspiração. "O processo de educar é o processo da paixão", definiu.

Quando morava em Nova Iorque, onde foi correspondente da Folha de São Paulo, Dimenstein convidou educadores da cidade e seu amigo pessoal, Paulo Freire para uma janta. Quando a noite já ia alta, uma professora norte-americana perguntou ao mestre brasileiro qual era a condição primeira para um professor ser um bom educador. Freire respondeu de forma muito simples: "Gostar de viver!"

O professor é uma referência para o aluno. A criança recorre muito à inteligência moral, ou seja, ela respeita quem é exemplo. Não adianta o pai ser contra a corrupção e na firma que dirige explorar o trabalhador, ou a mãe defender a preservação do meio ambiente e não cuidar do lixo, exemplificou.

Para Dimenstein, é mais preocupante um pai ausente em casa do que o traficante na porta da escola. "Hoje, os pais terceirizam os filhos e entregam-os à escola", afirmou. Também se disse preocupado com o imediatismo que a sociedade do entretenimento impõe. A relação entre o passado e o futuro tem que ser construído, e construir uma carreira é demorado, exige esforço, dedicação, salientou.

Na palestra, Dimenstein exibiu vídeo mostrando trabalhos incentivados pela Cidade Escola Aprendiz, que transformou um beco sujo e fétido de São Paulo, usado por traficantes e consumidores de droga, numa galeria a céu aberto. A Escola Aprendiz chamou grafiteiros e pixadores, que, com o apoio de professores, deram cor ao beco cinza.

O ato de pixar transformou-se num toque de embelezamento, inserindo atores que sofrem a violência da invisibilidade. Dimenstein prevê que daqui a dez anos o Brasil não terá mais analfabetos jovens, mas teme o analfabetismo funcional. A campanha eleitoral deste ano, disse, mostrou que um terço dos eleitores brasileiros consegue ler, mas não entende o que lê.

Segundo levantamento do Instituto Paulo Montenegro, apenas um em cada quatro jovens e adultos consegue interpretar um texto mais longo e de alguma complexidade. Estudo encomendado pela Câmara Brasileira do Livro e pelo Sindicato Nacional de Editores de Livros em 2001 mostrou que 61% dos brasileiros adultos alfabetizados têm pouco ou nenhum contato com obras literárias.

De família judaica tradicional, conhecedor da Torá e admirador do ministério que rabinos assumem, o jornalista tem livros publicados, o mais recente deles enfoca "O aprendiz do futuro", mostrando que a globalização e os avanços tecnológicos exigem um profissional cada vez mais qualificado.