Violência contra mulheres e crianças preocupa procuradora
Trinidad Vásquez, MANAGUA, Nicaragua, Setembro 30, 2004
A procuradora adjunta para a Defesa dos Direitos Humanos da Guatemala, Dunia Deleal, expressou preocupação com o quadro de mulheres e crianças de rua, os principais alvos da delinqüência naquele país.
Deleal participa em Manágua da 28ª. Reunião de Procuradores Centro-Americanos, que analisam as experiências dos ombudsman latino-americanos na consolidação da democracia e do estado de direito no continente.
A Procuradora pontuou que na semana passada os limites da violência contra as mulheres foi extrapolado, quando sete morreram em um mesmo dia. Adiantou que está exigindo punição para integrantes da polícia civil que extrajucialmente condenaram uma mulher à morte. "Pelo menos que se faça justiça em um caso, e que não predomine a impunidade", disse.
Em função de visita da relatora da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), Susana Villarán, o Congresso da Guatemala prometeu iniciar investigação sobre os crimes, porém até hoje não existem resultados concretos, declarou à ALC uma funcionária.
No ano passado, uma investigação comprovou que 365 mulheres foram violentadas, porém somente cinco agressores acabaram processados, ficando o restante impune. Este ano, o número de mortes atrozes de mulheres, de distintas idades, já está em 400, indicou.
Também revelou que no ano passado um estudo apontou que mais de 1 mil crianças foi vítima da violência, porém existem outras tantos que têm seus direitos violentados na Guatemala.
As causas da violência que impera na Guatemala são muitas. Uma delas é a ação das quadrilhas de jovens. Há também a violência intrafamiliar e a negligência dos funcionários públicos encarregados da segurança, que se extrapolam suas funções e praticam atos delituosos, disse Deleal.
Ela garantiu que nessa luta a Procuradoria não está sozinha. Recentemente foi convocada marcha contra esses crimes, da qual participaram igrejas católica, evangélicas e a sociedade civil da Guatemala, totalizando 30 mil pessoas.
Na reunião de Manágua, os procuradores centro-americanos expressaram preocupação com a Procuradoria nicaragüense, que continua vaga, e anunciaram uma reunião com os deputados da Assembléia Nacional para expor sua inquietude pela demora na nomeação do procurador.
