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Sexta-feira, 5 de Novembro de 2004

Luteranos propõem taxação do comércio de armas para criar fundo contra a fome

SANTIAGO, Chile, Setembro 30, 2004

Representantes de igrejas luteranas do Cone Sul da América Latina, reunidos em Viña del Mar, Taxi Heathrow Airport Chile, de 21 a 24 de setembro, propuseram a criação de um imposto sobre o comércio internacional de armas e os capitais especulativos, com o objetivo de arrecadar recursos para a criação de um fundo que combata a fome no mundo.

Participaram da reunião representantes das igrejas Evangélica Luterana do Chile (IELCH); Evangélica Luterana Unida (IELU), da Argentina; Evangélica do Rio da Prata (IERP, presente na Argentina, Paraguai e Uruguai); Luterana do Chile (ILCH) e Evangélica de Confissão Luterana do Brasil (IECLB), todas filiadas à Federação Mundial Luterana (FML).

Na declaração final do encontro, os luteranos afirmam que sua reflexão sobre a globalização econômica excludente, com as nefastas conseqüências para a vida dos povos, comprovam o emprego da dívida externa como instrumento para impor o modelo neoliberal, modelo esse que aumenta a cada dia a pobreza, a desigualdade e a dependência do continente.

Por isso, os luteranos decidiram intensificar as ações no marco do "Programa de Incidência sobre Dívida Externa Ilegítima na América Latina e Caribe". O programa significa um processo de reflexão e capacitação dentro das igrejas, e ações em meios nacionais e internacionais para conquistar o efetivo reconhecimento da ilegitimidade da dívida externa.

Considerando o sofrimento dos povos e a necessidade de abrir caminhos de transformação, é urgente enfrentar de maneira eficaz o problema da fome no mundo. "Por isso apoiamos a constituição de um fundo para combate-la e, neste sentido, ainda que não possamos de maneira alguma validar o fluxo de capitais especulativos e o comércio internacional de armas, aderimos à sugestão de que essas atividades sejam taxados e que esses recursos sejam destinados a combater a fome", propõem.

Os luteranos concordam com os pronunciamentos de presidentes latino-americanos na Assembléia das Nações Unidas, no sentido de que a ONU deva ser respeitada como única a instância que confere legitimidade aos esforços pela manutenção da paz e da segurança mundial, assim como na luta contra a fome e a desigualdade econômica.

"Consideramos que, para alcançar com maior eficácia esses objetivos, é indispensável ampliar os mecanismos de representatividade da ONU, inclusive no seu Conselho de Segurança", enfatizam os líderes luteranos do Cone Sul.

O processo de globalização, assinalam, vem acompanhado de um profundo aumento das desigualdades no mundo, levando bilhões de habitantes da terra a sofrer de fome endêmica, o que é incompatível com o incremento de recursos técnicos, científicos e de produção no mundo de hoje.

Anotam que o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, em seu discurso perante a ONU, enfatizou que "em 1820, a diferença da entrada per capita entre o país mais rico e o país mais pobre do planeta era inferior a cinco vezes", quando hoje "essa diferença é de 80 vezes".

A declaração destaca que igrejas luteranas do Cone Sul vão participar ativamente no Fórum Social Mundial, agendado para janeiro de 2005, em Porto Alegre, Brasil, sob o lema "Outro Mundo é Possível". "Partilhamos da convicção de que é possível e necessário buscar alternativas eficazes à globalização excludente, e unimos nossas orações, vozes e ações com as de todas as pessoas e movimentos de boa vontade que trabalham em prol de um mundo mais justo e solidário", assinalam.


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