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Sexta-feira, 5 de Novembro de 2004

ONGs de direitos humanos sofrem invasões

Trinidad Vásquez, MANAGUA, Nicaragua, Setembro 29, 2004

 A delegação do Alto Comissionado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur) condenou, nesta capital, Taxi Heathrow Airport as agressões contra organizações não-governamentais de Direitos Humanos (ONGs) na Guatemala.

A conselheira Blanca Fonseca, do Conselho Nacional de Igrejas Evangélicas Pró Aliança Denominacional (Cepad), da Nicarágua, que representa a Acnur, disse que a Rede para os Migrantes em Manágua vai se pronunciar, ainda esta semana, a respeito da invasão de pessoas desconhecidas no Centro de Atenção ao Migrante (Cam), da Guatemala.

A invasão ocorreu na madrugada do dia 20 de setembro. Os intrusos tiraram equipamento de trabalho, computadores, televisão, fax, telefones, máquina fotográfica e um talão de cheques. Os arquivos e pastas com documentação foram violados e revisados. Os invasores deixaram diferentes "sinais" nas mesas e fezes numa delas.

O Cam é uma instituição da Pastoral de Mobilidade Humana, vinculada à Conferência Episcopal da Guatemala, que proporciona, há anos, assistência e atenção humanitária e espiritual a milhares de migrantes que transitam pela Guatemala em condições de total desproteção, vítimas de todo tipo de atropelos à dignidade, joguetes nas mãos de traficantes, de agentes da migração e de policiais.

A invasão ao escritório do Cam é mais um capítulo das agressões contra os movimentos sociais. A Casa do Migrante, onde os migrantes recebem abrigo temporal, também vem sendo agredida por causa do trabalho que realiza.

A Mesa Nacional para as Migrações da Guatemala (Menamig) somou-se às denúncias e expressou indignação frente aos atos de violência, que não podem ser considerados fatos isolados, de delinqüentes, mas atividade sistemática de intimidação e ameaça que vêm se perpetrando contra organizações sociais e defensoras dos direitos humanos.

No mesmo dia, e na mesma modalidade, outras organizações sociais e da sociedade civil sofreram agressão no país.

Os fatos evidenciam a falta de uma política estatal que coloque um freio no estado de violência que a Guatemala vive, mantendo o país submerso na impunidade e na impossibilidade de construção da paz sobre a base de um estado de direito e democrático, indicou a representante da Acnur.

Por esse motivo, disse, "exigimos do governo guatemalteco que não fuja da responsabilidade e que as autoridades competentes realizem investigações pertinentes. Pedimos, também, que sejam implementadas medidas eficazes para erradicar a persistência de grupos delinqüentes organizados ou de poderes ocultos".


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