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Segunda-feira, 29 de Outubro de 2007

Doutor Oneide Bobsin, pastor e teólogo luterano brasileiro.
Doutor Oneide Bobsin, pastor e teólogo luterano brasileiro.

Medo da liberdade

Oneide Bobsin, SAO LEOPOLDO, Brasil, Setembro 30, 2004

Os Estados Unidos da América vêm se apresentando ao mundo como paladinos da liberdade. Inexplicavelmente, Taxi Heathrow Airport em nome dela fizeram e fazem guerras para libertar outros povos de ditadores, como Saddam Hussein.

Em nome da tão propalada liberdade apoiaram regimes ditatoriais, após derrubarem governos legitimamente eleitos, como o fizeram no Brasil e em outros países latino-americanos a partir de 1964.

Agora, defendem uma Área de Livre Comércio, mas protegem seus mercados e subsidiam seus produtos, tornando-os livres para circularem no mundo, ao passo que os nossos são taxados com pesados impostos, a fim de não prejudicarem o seu comércio.

A falsidade do discurso sobre a liberdade, no entanto, se desfez. Caiu a máscara, e o medo ocupa o lugar da liberdade. Onde está a liberdade do povo do Iraque, já que diariamente morrem iraquianos e americanos?

Sabemos que o terrorismo é uma realidade cruel e ameaçadora, fazendo milhares de vítimas em vários lugares do mundo, instaurando um clima de medo e de insegurança. Contudo, não é o terrorismo o alvo da política externa e interna dos Estados Unidos.

Por detrás dos discursos de Bush contra o mal aparecem interesses econômicos e comerciais em razão do controle do petróleo no mundo e do domínio econômico e militar. Mas isso é só um lado do problema. O outro diz respeito ao uso do medo como meio de construir consenso em torno da sua candidatura.

Além dos inimigos reais, é necessário criar outros inimigos, diante dos quais o governo Bush se coloca como o mais competente para dar segurança ao povo americano. Aproximadamente 70 % do povo dos Estados Unidos, dizem as pesquisas, afirmam que Bush é mais preparado do que Kerry para enfrentar o terrorismo.

Dessa forma, o medo é politizado eleitoralmente nos Estados Unidos. Ele se torna um forte cabo eleitoral para Bush. Nem que para isso é necessário inventar inimigos e alardear um iminente ataque da Al Qaeda. Provavelmente, Bush ganhará a eleição nos Estados Unidos. A intimidação será o seu grande cabo eleitoral.

Infelizmente, a intimidação de um povo não acontece só lá. Em muitos lugares de nosso planeta o medo escraviza pessoas. Há mulheres que temem seus maridos. Há alunos que temem seus professores. Há empregados que temem seus patrões. Há filhos que temem seus pais. Há funcionários que temem os administradores públicos.

Não tenham medo, diz a mensagem evangélica a respeito do nascimento do menino Jesus. José perdeu o medo e assumiu Maria. Os pobres pastores, que temeram o anúncio do menino nascido numa estrebaria, alegraram-se depois.

Somente Herodes preferiu o medo à liberdade. Por isso intimidou o povo mandando matar todos os meninos abaixo de dois anos de idade.

Logo, nada mais justo do que lembrar um outro norte-americano, o escritor Herbert Sebastian Agar: "A verdade que torna os homens livres é, na maioria dos casos, a verdade que os homens preferem não ouvir."

Os intimidadores, como Bush , Herodes e outros, há muito jogaram fora a liberdade porque decidiram não ouvir a verdade que liberta. Aos intimidados, porém, vem a voz dos anjos, que dizem: Não tenham medo. A verdade vos libertará (João 8. 32).

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Oneide Bobsin, Pastor da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil e professor de Ciências das Religiões da Escola Superior de Teologia de São Leopoldo/RS/Brasil.