Encontro debate direito das mulheres
Amparo Beltrán, BOGOTA, Colombia, Setembro 28, 2004
Jornada de reflexão organizada, em Bogotá, pelo grupo feminino "Irmandade, ecumenismo e democracia", do Centro Popular para América Latina de Comunicações (CEPALC), debateu o direito das mulheres na sociedade.
O encontro, denominado "As mulheres sujeitos de direito", ocorreu na véspera de 28 de setembro, declarado pelas Nações Unidas como Dia das Mulheres pelo Direito a Decidir Livremente. Participaram do encontro 60 representantes das seguintes igrejas: anglicana, menonita, pentecostal, presbiteriana, luterana, batista, católica e evangélica livre.
Na devocional as mulheres refletiram sobre o caso das filhas de Zelofeade: Maalá, Noa, Hogla, Milca e Tirsa, relatado no capítulo 27 do livro de Números, da Bíblia. Num tempo em que somente os filhos homens podiam ser herdeiros, elas pediram a Moisés que as reconhecessem como herdeiras em razão da morte do pai, que não tinha nenhum filho homem. Moisés consultou o Senhor e Ele aceitou a proposta. Com essa decisão, elas modificaram a lei de Israel. Assim como as filhas de Zelofeade, as mulheres devem lutar, hoje, para que se cumpram as leis.
No encontro, as mulheres estudaram os Direitos Humanos e o fato de existirem direitos especiais das mulheres. Viram que as mulheres conformam um setor muito vulnerável da população, que a situação delas é complexa e diferente da dos homens. Daí a necessidade de estabelecer normas, costumes e práticas que contribuam para a eqüidade de gênero.
Na reunião foram mencionadas estatísticas que fazem refletir. Por exemplo, as mulheres representam 70% dos pobres do mundo. Também são 80% dos refugiados do mundo. A mulher é a chefe da casa em uma de cada quatro famílias.
Do 1 bilhão de analfabetos adultos, dois terços são mulheres. O mesmo ocorre com as meninas, que representam dois terços, ou 130 milhões das crianças que não freqüentam a escola. A maioria das mulheres ganha somente três quartos do salário dos homens nas mesmas condiciones de trabalho. Na maioria dos países, as mulheres trabalham aproximadamente o dobro do tempo não remunerado que os homens.
Somente 24 mulheres foram eleitas chefes de estado no século XX. Até 1995, apenas a Suécia havia formado um gabinete integrado pelo mesmo número de mulheres e homens. Entre os 187 diplomatas da ONU, somente sete são mulheres.
A verdade é que nenhum pais do mundo alcançou a igualdade plena entre homens e mulheres. Daí a importância de seguir lutando para criar uma sociedade justa e eqüitativa, concluiu o encontro.
No final do evento, as participantes fizeram uma interessante reflexão sobre a moral sexual de Jesus. Depois de analisar temas como aborto, homossexualidade, divórcio e adultério, foi considerado que esses assuntos não devem ser tabu nas igrejas, e que devem ser examinados em todas as suas facetas. Falta conhecimento e investigações a respeito. E com o desejo de a cada dia conhecer melhor a vontade de Deus foram finalizados os debates.
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