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Sexta-feira, 5 de Novembro de 2004

Campanha no Rio tem apelo religioso

RIO DE JANEIRO, Brasil, Setembro 27, 2004

O bispo auxiliar do Rio de Janeiro, dom Dimas Lara Barbosa, está preocupado com os Taxi Heathrow Airport apelos religiosos aplicados na campanha da capital. "É lamentável que as eleições no Rio estejam sendo conduzidas na direção de uma briga entre religiões", disse.

Dom Lara Barbosa reagiu, assim, à entrevista do senador Marcelo Crivella, candidato do Partido Liberal (PL) à prefeitura do Rio. Em entrevista para o Jornal do Brasil, Crivella disse que são os evangélicos que lidam com os pobres e que a Igreja Católica "é a elite".

"Somos a fronteira mais próxima, hoje, da classe pobre", declarou, destacando que são os evangélicos que ouvem os pobres e recebem os desempregados. Crivella é bispo da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) e está convicto de que vai disputar a prefeitura, em segundo turno, com o atual prefeito César Maia.

O secretário geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Odilo Pedro Scherer, também retrucou as palavras de Crivella. Assinalou que a Igreja Católica está mais próxima do que nunca da população mais carente, e criticou a ingerência religiosa na política.

"Não se deve instrumentalizar a religião em função da política. Já passou o tempo das teocracias. Até porque uma teocracia não seria oportuna em um Estado pluralista. A política não deve ficar a serviço da religião, nem a religião a serviço da política", definiu Scherer em declaração ao Jornal do Brasil.

E acrescentou: "Todos sabem que a Igreja Católica está no meio dos pobres, como aliás todas as religiões deveriam estar". Já o bispo auxiliar do Rio acredita que existem critérios melhores para a escolha de candidato do que sua opção religiosa.

Perguntado se sua candidatura faz parte de projeto político da IURD, Crivella respondeu que para a Universal, como entidade religiosa, ele representa uma tragédia. "Eles só perdem, comigo e com outros políticos. O povo da igreja é que faz uma pressão irresistível para que a gente seja candidato", disse.

Além de Crivella, também o candidato Luiz Paulo Conde, pelo Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), disputa, apoiado pela governadora Rosinha Matheus, o voto evangélico. A eleição acontece no próximo domingo, 3 de outubro.


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