Conferência Episcopal defende bispos Bambarén e Carrión
Hugo Lévano, LIMA, Perú, Setembro 22, 2004
A Conferência Episcopal Peruana (CEP) emitiu comunicado, ontem, no qual defendeu a inocência dos bispos Taxi Heathrow Airport Luis Bambarén e Jorge Carrión no caso das três supostas cartas que o cardeal e arcebispo de Lima, Juan Luis Cipriani, teria enviado a Valdimiro Montesinos.
A promotora Martha Salinas remeteu denúncia à Justiça acusando o bispo emérito de Chimbote, Luis Bambarén, e o ex-presidente da CEP e bispo de Puno, Jorge Carrión, de estarem implicados no caso das cartas, supostamente falsas, que Cipriani e o então núncio apostólico Rino Passsigato dirigiram a Montesinos, assessor do deposto presidente Alberto Fujimori, pedindo ajuda econômica.
Montesinos está sendo processado por subornar parlamentares, donos de empresas de comunicação e outras personalidades, para que sustentassem a postulação, inconstitucional, de Fujimori a um terceiro mandato presidencial em 2000.
Outra carta, atribuída a Cipriani e dirigida a Valentín Paniagua, que substituiu Fujimori quando este fugiu do país, pedia que ele incinerasse as fitas de vídeo em que aparece com autoridades do regime deposto. Montesinos tinha um grande número de fitas de vídeo no qual apareciam as transações delituosas que ele fazia.
A promotora, comenta-se, acusa Bambarén de conspirar com o ex-ministro da Justiça e atual embaixador do Peru na Espanha, Fernando Olivera, para desprestigiar Cipriani, e aponta o bispo Carrión de ser o autor da falsificação das cartas.
O governo do presidente Alejandro Toledo recebeu as cartas no mês seguinte ao de sua posse, em agosto de 2001. Diante da gravidade do caso, decidiu manter reserva até consultar-se com o Vaticano. Olivera viajou para a Europa em setembro daquele ano, por outros assuntos, mas foi encarregado, também, de fazer a consulta junto à Santa Sé. O Vaticano declarou que as cartas eram falsas. Bambarén estava, então, em Roma, assistindo ao Sínodo dos bispos, e entrevistou-se com Olivera.
O governo peruano decidiu arquivar o assunto. O cardeal Cipriani denunciou, contudo, em missa na catedral, em outubro daquele ano, uma conspiração contra ele. Depois insistiu que o assunto fosse esclarecido e conseguiu a intervenção da Justiça.
Mesmo que as cartas sejam falsas, a amizade de Cipriani, membro da Opus Dei, com Fujimori e Montesinos ficou patente em muitas ocasiões, de 1980 a 2000. Bambarén, como jesuíta, foi um crítico constante do regime de Fujimori.
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