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Quinta-feira, 28 de Outubro de 2004

Relatora reclama justiça

Trinidad Vásquez, GUATEMALA, Guatemala, Setembro 22, 2004

O assassinato de cerca de 400 mulheres verificados na Guatemala no decorrer do ano motivou Taxi Heathrow Airport a relatora da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), Susana Villarán, a exigir do governo uma decidida investigação a respeito dos crimes.

Na visita de três dias que empreendeu ao país, Villarán encontrou-se com autoridades do Executivo e do Legislativo, com líderes religiosos e de organizações não-governamentais que integram uma frente ampla de luta pela não-violência contra as mulheres.

A Conferência de Igrejas Evangélicas da Guatemala (CIEDEG), em sua última reunião, dia 20 de setembro, também expressou preocupação com a violência contra as mulheres. O mesmo fez o Centro Evangélico de Estudos Pastorais da América Central (CEDEPCA).

A funcionária da CIHD, depois de escutar os dramáticos testemunhos de violência que vive o país, mostrou-se muito preocupada e pediu para que as autoridades intensifiquem as investigações dos crimes e apliquem reformas no código penal. Ao sair de uma reunião com os parlamentares, Villarán disse que os deputados lhe informaram que as comissões de Direitos Humanos e Governação iniciaram investigação dos quase 400 crimes de mulheres este ano.

Caso se mantenha a tendência, os assassinatos de mulheres chegarão a 7OO até o final do ano, dado que preocupa lideranças de igrejas, disse Elizabeth Carrera de Paz, coordenadora do CEDEPCA. O presidente Oscar Berger sempre responde "já temos informes que vão ser verificados", mas disso não passa, lamentou Carrera.

Ela acrescentou que a Rede de Não-Violência Contra as Mulheres recebe apoio da Secretaria da Mulher do governo, das igrejas e de diversas organizações sociais, juventude, sindicatos e Rede de Mulheres Jornalistas. Integrantes da Rede de Mulheres Jornalista têm desfilado pelas ruas da Cidade da Guatemala com cartazes que dizem: "Não mais assassinatos de mulheres.

"Um professor de história comentou que detrás dos assassinatos de mulheres poderia estar o crime organizado, para desviar a atenção da luta política e contra a corrupção, que causa a cada dia mais pobreza ao país. O que chama a atenção nos crimes é que as vítimas são violadas e até decapitadas, e outras recebem um tiro de misericórdia. "Recordemos que no país há milhares de ex-militares", comentou o historiador.

Ele acrescentou que foi criado um núcleo de teologia, com o objetivo de buscar um espaço ecumênico, no qual estão representadas as igrejas evangélicas e a católica, na busca de unir esforços contra o femicídio.

No seminário "O direito à comunicação: um direito humano", promovido pela Associação Mundial para a Comunicação Cristã (WACC, a sigla em inglês), realizado nesta capital de 16 a 18 de setembro, Ileana Alamilla, do Centro de Repórteres Informativos sobre Guatemala, assinalou que os grandes meios de comunicação comerciais não cobrem as atividades da Rede de Mulheres contra a Violência, como ocorreu recentemente com reunião na qual mais de 1 mil mulheres analisaram a violência e pediram ao governo investigação e justiça dos crimes.

Carmen Tzamol, da ordem religiosa católica Escravas do Sagrado Coração, disse no seminário que as mulheres na Guatemala sofrem as conseqüências de uma violência estrutural e até militar e machista. A ordem, que orienta e capacita jovens no tema da não-violência intrafamiliar, apoia as iniciativas da Rede de Luta por não mais violência contra as mulheres, disse Tzamol.


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