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Quarta-feira, 27 de Outubro de 2004

Cães defendem jovens das drogas

PORTO ALEGRE, Brasil, Setembro 20, 2004

O Colégio Sinodal do Salvador, de Porto Alegre, decidiu atacar o problema das drogas de Taxi Heathrow Airport frente: a cada semana, cão treinado é levado a uma sala de aula, durante o intervalo, e fareja o material escolar dos alunos. A ação faz parte do programa "Viver a adolescência com qualidade: tecer um projeto de vida ideal", desenvolvido pela escola.

Há dois anos e meio a direção e corpo docente da escola avaliam como podem ajudar jovens e adolescentes a evitarem o primeiro contato com a droga. Pesquisa realizada no ano 2000 pela Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação, junto com o Laboratório de Psicologia da Universidade de Brasília (UnB), em 1.500 unidades do Ensino Médio e Fundamental do país, da rede pública e privada, revelou que 32% dos jovens tiveram o primeiro contato com a droga na escola.

A utilização de cães farejadores foi tema do programa "Polêmica", da Rádio Gaúcha, de Porto Alegre. Embora houvesse debatedor que reprovasse a iniciativa com veemência, alegando que se tratava de uma violação da individualidade e representava um método fascista, 89% de ouvintes do programa que responderam a pesquisa por telefone aprovaram a iniciativa da escola.

"A vinda do cão é um dos itens do projeto. Ele não representa repressão, mas o limite, o recado que a escola dá: não queremos droga", justifica a psicopedagoga Sandra Ilona Ruschel Torgowski, que desenvolve o programa em parceria com a orientadora escolar, Marga Ramos. "Isso também é ação cidadã. Não podemos ficar em berço esplêndido, quando se tem o dever moral de trabalhar com o aluno", acrescenta.

O programa prevê palestras para a comunidade escolar, envolvendo ai também os pais. O projeto, diz o pastor Rui Bonato, do pastorado escolar, valoriza o relacionamento entre alunos, de alunos e professores, de professores entre si. "Estamos estudando isso há mais de dez anos e o projeto continua em construção", frisa a psicopedagoga.

"Não é função da escola punir, mas proteger", alega o diretor do Colégio Sinodal do Salvador, professor Gustavo Malschitzky. Com essa ação preventiva a escola quer mostrar ao jovem que porventura é usuário de droga que esse fato não pode ficar escondido para sempre, acrescenta o diretor.

A droga, arremata a psicopedagoga, é um câncer social e a escola não pode fazer de conta que esse problema não existe.

A presença dos cães na escola inibiu grupos de fumantes que ficavam em frente e nos arredores da escola, arrola Sandra Torgowski como um dos resultados da ação preventiva que a escola começou no início do semestre letivo de 2003. No colégio, se o cão indicar alguma suspeita, o primeiro movimento é conversar com o aluno e, confirmada a suspeita, ele tem uma semana para levar o assunto aos pais.

O cão trabalha numa sala de aula apenas e durante o intervalo dos alunos, assim que não haja qualquer tipo de constrangimento. Ao ser implantado, poucos pais vieram até a escola para buscar mais informações a respeito. Mas nenhum chegou a tirar o filho da Salvador por esse motivo. A maioria aplaudiu a medida. "Os pais ficam contentes, porque sabem que a escola oferece tranqüilidade", garante o diretor.

Os cães usados para farejar drogas e outras substâncias não-permissíveis são de escola de Porto Alegre, que treina animais para essa tarefa. Reginaldo Aranda, dono da escola, é um policial federal aposentado, com formação de treinamento de cães na Alemanha.

O trabalho que realiza, admite Aranda, é delicado, mas lembra que projeto semelhante existe nos Estados Unidos e que não se trata de trabalho repressivo. Na Escola do Salvador Aranda usa três raças de cachorro na tarefa, executada, no entanto, a cada semana por apenas um desses cães: um pastor belga malinois, um goldes retrizer, e um springer spaniel.

A Escola do Salvador tem 613 alunos matriculados, do Pré ao Ensino Médio. Como o cachorro só executa a tarefa numa sala de aula, no intervalo, nos demais intervalos ele brinca com as crianças e faz apresentações, demonstrando uma boa socialização.


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