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Quarta-feira, 7 de Novembro de 2007

Romaria aponta a água como bem comum

Micael Vier B., FLORIANÓPOLIS, Brasil, Setembro 15, 2004

Apesar da chuva, a Romaria da Terra e da Água de Santa Catarina reuniu 10 Taxi Heathrow Airport mil fiéis, no domingo, 12, provenientes de 90 cidades, conduzidos até o município de São Carlos em 186 ônibus. O lema da celebração deste ano destacou a terra e a água como fontes de vida, retomando o tema da Campanha da Fraternidade 2004 da Igreja Católica.

Em entrevista à ALC, o pároco do município de São Carlos, Flávio Inácio Heck, disse que a romaria é um momento de reivindicação em nome da fé. "Esse encontro é inspirado na experiência bíblica do êxodo, que consiste na caminhada do povo hebreu, conduzido por Moisés, do Egito à terra prometida em Canaã", anotou.

"Nosso objetivo é manter a mobilização popular e despertar nos romeiros a importância de uma consciência coletiva tanto do ponto de vista da oração quanto da organização popular", sublinhou Heck, destacando a relevância maior do encontro.

Celebrada desde 1986, a romaria deste último domingo chamou a atenção para a preservação da água – o ouro azul -, para a sua privatização e os projetos de construção de usinas hidrelétricas.

Um dos grandes empreendimentos na região é a Usina Hidrelétrica Foz do Chapecó. Prevista para ser construída às margens do Rio Uruguai, em Balneário de Pratas, no próprio município de São Carlos, a previsão é de que a obra deixe 3.500 famílias desabrigas.

Segundo o padre, a usina causará danos irreparáveis à região, que explora as fontes termais para o turismo, além de abrigar comunidades indígenas no entorno do terreno atingido.

As indenizações pela construção da hidrelétrica prevêem ressarcimento somente para aqueles que possuem título de terras no local. "Esse critério de compensação exclui meeiros, arrendatários, parceiros, e comunidades indígenas que exploram e vivem nessas terras", denuncia Heck.

Entre as organizações que se manifestaram durante a romaria de Santa Catarina destacam-se o Movimento dos Atingidos por Barragem (Mabb) e o Movimento de Mulheres Campesinas. O bispo de Chapecó, dom Manoel João Francisco, enfatizou a importância da água no seu pronunciamento.

Durante a missa, celebrada por nove bispos das dioceses da região num palco de 80 metros quadrados montado ao ar livre, houve a benção da cruz em tronco de cedro. Durante a caminhada foram distribuídas aos romeiros bolsas de plástico contendo sementes crioulas como símbolo do encontro.