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Sábado, 10 de Novembro de 2007

Visita de relíquias de Buda motiva diálogo inter-religioso

Manuel Quintero, QUITO, Ecuador, Setembro 13, 2004

- A presença das relíquias de Buda nesta capital motivou o diálogo inter-religioso pela paz Taxi Heathrow Airport e a reconciliação, ocorrido no sábado, 11 de setembro, com uma marcante participação popular na capela barroca do antigo hospital de São João de Deus, hoje convertido no Museu da Cidade.

Do diálogo, organizado pela Fundação Lama Gangchen para a Paz, participaram representantes de religiões ancestrais andinas, do cristianismo, do judaísmo e do budismo.

Luz María de la Torre, quem iniciou o diálogo em nome das religiões andinas, disse que se vive hoje uma época de reconhecimento da diversidade, e que a religião dos povos dessa parte do mundo teve de esperar 500 anos para poder ser ouvida e fazer assim seu aporte específico na busca da paz.

La Dra. Vera de Khon, representante da comunidade judia, assinalou que a verdade não se deixa dividir e que as religiões são o caminho para aprendê-la.

A presença das relíquias de Buda "é uma oportunidade para encontrarmos com a nossa verdade", disse, acrescentando que "os símbolos religiosos ajudam a saciar a nossa fome de paz".

"A vida religiosa é um pequeno sorriso que borra a miséria e o medo, e a verdadeira espiritualidade começa quando se dissolvem as fronteiras religiosas", afirmou.

O pastor Israel Batista, secretário geral do Conselho Latino-Americano de Igrejas (Clai), destacou que a religião volta a ser hoje um elemento central na vida dos seres humanos. Porém, "a espiritualidade não é um método, mas sim uma transformação e um estilo de vida", admoestou.

O diálogo inter-religioso deve buscar uma espiritualidade que recupere a dignidade do ser humano como ser abençoado por Deus e ajudar a reorganizar a esperança, enfatizou Batista.

Ele também deve favorecer a construção de uma autêntica cultura de paz, baseada na justiça, num mundo onde os meios de comunicação utilizam a violência como entretenimento, anotou.

"É necessário que todas as religiões se unam para proclamar que a guerra e o uso da violência nunca podem ser o caminho que conduz à paz. O fundamentalismo de todo tipo nos leva a um mundo mais inseguro e mais violento", enfatizou.

O lama Gangchen Rinpoché encerrou o diálogo recordando que três anos atrás, nesse mesmo dia, ocorreu um fato trágico, e por isso era tão significativo que neste 11 de setembro representantes de distintas religiões estivessem reunidos para falar sobre a paz.

"A exposição das relíquias de Buda no Equador pode representar uma ocasião muito especial para demostrar o compromisso das pessoas deste país para valores superiores e a busca de soluções alternativas aos desafios de nosso tempo", afirmou.

Rinpoché exortou os presentes a se envolverem, independente de religião ou filosofia, na análise do significado da paz. "Isso pode representar novas idéias e uma contribuição valiosa para os políticos e para o conjunto da sociedade", disse.

Entre os dias 9 e 12 de setembro estiveram expostas, em uma das salas do museu, relíquias sagradas que incluem pequenos ossos de Buda, doados pelos governos da Tailândia, Myanmar e Sri Lanka para que sejam apresentadas permanentemente na sede das Nações Unidas, em Nova Iorque.

Antes de serem levadas a Nova Iorque no próximo ano, uma delegação de Custódia das Relíquias estão conduzindo-as ao redor do mundo, para que sirvam de estímulo ao maior número possível de países na promoção de momentos de harmonia e paz. Até agora, as relíquias já foram apresentadas em 80 países do mundo.

Além da exibição das relíquias, ocorre no Museu da Cidade de Quito eventos como fóruns de espiritualidade, cursos de meditação tibetana, dança tailandesa e curso de meditação do budismo antigo.