Mãe de filhos seqüestrados pelo pai apela à cidadania paraguaia
Edelberto Behs, PORTO ALEGRE, Brasil, Agosto 26, 2004
Contando com a conivência da polícia paraguaia, o indigenista Eri Daniel Rojas Villalba está foragido Taxi Heathrow Airport há seis meses no Paraguai, junto com seus filhos Guillermo, dez anos, e Arturo, seis anos, que o pai seqüestrou no dia 4 de fevereiro do convívio da mãe, a pastora metodista Genilma Boehler, residente em São Bernardo do Campo, São Paulo.
Mesmo tendo em mãos a Carta Revogatória de restituição dos filhos, Genilma continua sem Guillermo e Arturo, meio ano depois do seqüestro, e nem com o carro, com o qual o ex-marido deixou o Brasil, refugiando-se no Paraguai, onde um de seus irmãos, Marildo Salustiano Rojas Villalba, é subcomissário de polícia, e outro irmão, Lucio Arren Rojas Villalba, é chefe da Polícia Especializada.
Guillermo e Arturo chegaram a morar, em março e abril, na casa de Marildo, em Fernando de la Mora, e testemunhas viram as crianças numa camioneta preta, que dizem pertencer ao inspetor chefe Lucio Rojas Villalba. A pastora Genilma Boehler, 41 anos, passou 50 dias no Paraguai, em junho e julho, onde foi em busca dos filhos, sem alcançar o intento.
"Confesso que estou abatida. Se antes, há cinco meses, sentia o meu peito ferido e sangrando, e mesmo assim lutei, agora sinto-me mais fraca e muito cansada", escreveu a pastora Genilma em mensagem eletrônica distribuída na rede de apoio solidário à pastora.
Genilma tentou conversar por telefone com seu ex-marido quando ela esteve no Paraguai recentemente. Eri negou-se a falar e impôs três condições para entregar os filhos: que Genilma anule a separação, retire todo e qualquer tipo de denúncia e queixa que tenha registrado na polícia, e volte a morar no Paraguai.
"Conheci um homem no Brasil, com o qual me casei, e que atendia por Daniel. Depois, fui morar com ele no Paraguai, onde o Daniel passou a ser o Eri, uma outra pessoa, completamente diferente, machista e dominadora", descreveu a pastora Genilma em entrevista à ALC.
Genilma Boelher era coordenadora da Pastoral Universitária da Universidade Metodista de São Paulo de 1998 até 2004. Nessa função, ela viajou a câmpus da Universidade, a 400 km de distância, no dia 3 de fevereiro, oportunidade que o seu ex-marido, que morava nos fundos da casa da pastora, à Rua Pedro Bitolo, 45, em São Bernardo do Campo, aproveitou para levar o carro e as crianças ao Paraguai.
Eri alega que Genilma era uma mãe displicente, o que ela nega com todo vigor. "Ele tocou no que é mais sagrado para mim, meus filhos, numa atitude covarde. Não entendo suas motivações e o seu objetivo", desabafou a pastora, reconhecendo que esse relacionamento de 15 anos jamais deveria ter começado. Mesmo admitindo tal erro, "vejo um Deus que não quer me condenar", afirmou.
A polícia paraguaia pouco ajudou Genilma na busca dos filhos. A polícia, denunciou a advogada Clara Rosa Gagliardone, da ONG Kuña Aty, "é cúmplice do desaparecimento das crianças".
Se a polícia paraguaia pouco ajudou, a pastora metodista brasileira contou com o apoio de rede de solidariedade, do Comitê de Igrejas do Paraguai, da ONG Kuña Aty, de bispos da sua igreja e de pessoas. A juíza da Infância e da Adolescência de Ciudad del Este, Delsy Cardoso, encaminhou à polícia mandato de busca de Guillermo e Arturo.
No Paraguai, Genilma percorreu o caminho diplomático e conta agora, e como sempre contou, com a boa vontade da cidadania paraguaia para encontrar, muito depressa, os filhos seqüestrados pelo próprio pai. Fotos das crianças estão espalhadas por ruas de Assunção e foram mostradas na mídia.

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