Referendo cria polêmica entre evangélicos
CARACAS, Venezuela, Agosto 18, 2004
A consulta popular do domingo passado, que confirmou Hugo Chávez na presidência da Venezuela, teve Taxi Heathrow Airport a intenção de resolver a grande polarização verificada na sociedade, mas, se o conseguiu, ainda está por ser visto, como indica uma de suas seqüelas: a polêmica entre organizações evangélicas.
Em comunicado publicado na terça-feira, 10 de agosto, o Conselho Evangélico da Venezuela (CEV) declarou que concentração realizada no final de julho, e que foi apresentada como uma manifestação eleitoral de todo o povo evangélico, carecia de autoridade e representatividade, e qualificou-o de "irresponsável e desrespeitosa". Agências internacionais de notícias concluíram, a partir dessa manifestação, que "evangélicos apoiam Chávez".
O CEV alegou que não auspiciou qualquer concentração, que levou o nome de "Clamor pela Venezuela" e "Um milhão de orações pela paz", convocadas pela Igreja Evangélica Pentecostal Filadélfia, pelo Centro Cristão para as Nações (CCN) e a Catedral Renascer, organismos que não são membros do Conselho, "que atuam de forma autônoma" e "não têm nenhuma autoridade para comprometer nossos princípios".
Em resposta, no dia 12 de agosto, o apóstolo presidente da Confederação União de Igrejas Cristãs da Venezuela (Unicristiana), Elías Rincón Aguirre, explicou que o ato de 31 de julho foi convocado por esse organismo e a Coalizão Cristã Evangélica, e que o Centro Cristão para as Nações e a Catedral Renascer apoiaram a concentração, porém não a convocaram. Afirmou também que não conhecia a igreja Filadélfia.
Assim como o reverendo Samuel Olson, que assinou a declaração, pode falar em nome do CEV, "instituição que apenas representa uma pequena porcentagem" do povo evangélico, ele podia falar em nome da Coalizão Cristã Evangélica e da Unicristiana, retrucou.
Essas organizações e a Confederação de Igrejas Pentecostais da Venezuela, disse, são organismos representativos de frações do povo evangélico, porque nem sequer as três confederações juntas têm toda a representação.
Rincón censurou Olson por ter espalhado a versão de que o banco Bandoandes doara um bilhão de bolivares para a concentração. Isso, disse, "é completa e absolutamente falso". Nem o presidente de Bandoandes, nem qualquer outro organismo relacionado com essa instituição colaborou com um centavo para a atividade.
"Reunimo-nos para glorificar nosso Deus e Senhor, orar pela nação e para bendizer e profetizar sobre o presidente legítimo e constitucionalmente eleito e ratificado em eleições populares pelo povo venezuelano, que achou por bem aceitar o nosso pedido, porque orar pelos mandatários é uma ordem claramente expressa na Palavra de Deus", argumentou.
Rincón reconheceu que nesse ato, do qual participaram milhares de evangélicos, houve manifestações espontâneas de apoio a Chávez no dia 15 de agosto, porém não como uma resposta a qualquer pendência proclamada do púlpito.
"Para nós foi um ato profundamente bíblico e espiritual", explicou. Dirigindo-se pessoalmente ao reverendo Olson, Rincón disse que "os tempos que vivemos são outros de quando fomos formados como cristãos". Não é verdade que a igreja seja totalmente apolítica, nunca o tem sido. Conheço-a pelos meus 61 anos de idade e 43 anos de vida ministerial", afirmou.
Hoje, "muitos de nossos fieis estão envolvidos nas lutas sociais, são candidatos a prefeito, governador, deputado e vereador, e muitos deles merecem nosso apoio aberto e irrestrito, e não o fazemos pelo que eu considero essa falsidade ou hipocrisia chamada apolítica", desabafou.
Uma coisa é a igreja identificar-se com um partido político, e outra coisa é se declarar "apolítica". "Devemos assumir com toda seriedade e responsabilidade a missão que o Livro Sagrado nos dá de ‘abrir nossa boca pelo mudo e por todos os desvalidos; a julgar com justiça e a defender a causa do pobre e do necessitado’", alegou.
Muitas vezes, em nome da "nossa posição apolítica, neutra, equilibrada, temos nos tornado cúmplices silenciosos de injustiças e atrocidades cometidas pelos governos ou governantes, contra os mais fracos ou contra o povo em geral", avaliou.
"Ainda que tenhamos distintos enfoques, interpretações e critérios, gostaria que pudéssemos unir esforços para construir a pátria que desejamos, que nos permitíssemos escutar uns aos outros ao invés de condenar-nos, e que de alguma maneira pudéssemos fortalecer a Igreja de Cristo", concluiu Rincón.
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