Venezuelanos dão mostra de civismo e paz
Luisa Torrealba, CARACAS, Venezuela, Agosto 16, 2004
O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, foi ratificado no poder através do referendo revogatório, realizado Taxi Heathrow Airport neste domingo, 15 de agosto. Os venezuelanos puderam dizer se queriam a continuidade ou não de Chávez na presidência.
O presidente do Conselho Nacional Eleitoral (CNE), Francisco Carrasquero, apresentou os dados preliminares na madrugada desta segunda-feira, que davam 58% dos votos a favor da continuidade do presidente, com 4,99 milhões de votos, contra 41% dos votos a favor da revogação presidencial, com 3,57 milhões de votos.
Milhares de venezuelanos saíram às ruas na madrugada numa jornada que se estendeu até a meia-noite do domingo, e que levou a marca do civismo e da paz. A jornada gerou uma ampla mobilização dos cidadãos, que superou inclusive a participação histórica nos processos eleitorais realizados no país.
Presidentes dos conselhos eleitorais, dirigentes políticos, atores sociais, observadores internacionais e cidadãos comuns aplaudiram a maciça participação do eleitor, a atitude cívica e a paz que caracterizaram o processo.
Um dos reitores do organismo eleitoral, Jorge Rodríguez, disse, em pronunciamento transmitido em rede nacional de rádio e televisão antes do encerramento das eleições, que foram registrados "níveis mínimos de abstenção".
O prêmio Nobel da Paz e presidente do Centro Carter, Jimmy Carter, que veio a Venezuela na qualidade de observador do processo, afirmou que o organismo que preside participou de mais de 50 eleições no mundo, "e esta teve a maior presença de eleitores que já viu".
O presidente Hugo Chávez, que votou em mesa instalada no "23 de Janeiro", populoso bairro residencial localizado ao oeste de Caracas, mostrou-se contente com o desenvolvimento do processo eleitoral num clima de concórdia.
"Estou feliz, porque um povo em massa, democraticamente e em paz, dá exemplo ao mundo", disse o presidente ao ser abordado por jornalistas.
Chávez fez um chamamento aos diversos setores para que respeitem o resultado da consulta. "Aceitaremos qualquer resultado que o Conselho Nacional Eleitoral emitir, e convido a oposição a que o aceite de igual forma", afirmou.
O secretário geral do partido de oposição Ação Democrática (AD), Henry Ramos Allup, manifestou satisfação pelo comportamento "pacífico, democrático, eleitoral e constitucional" que o povo venezuelano teve, "para dar um exemplo que recorre não somente à Venezuela, mas ao continente e ao mundo".
Com o referendo revogatório tem culminância um processo através do qual "o povo venezuelano está testemunhando sua fé irremovível na democracia", acrescentou.
Durante o processo eleitoral não foram registrado fatos que abalassem a tranqüilidade da jornada. O sistema de votação realizou-se através de uma máquina de votação, com um visor de cristal líquido, na qual os eleitores podiam selecionar as opções "sim", para manifestar o desejo de revogar o mandato presidencial, e "não", para ratificar o presidente no poder.
Mesmo assim, o uso das urnas eletrônicas e de máquinas que registravam o voto, gerou atrasos no processo. Porta-vozes da oposição criticaram a lentidão da eleição. Alguns eleitores ficaram até seis horas em filas para poder votar. O sol abrasador em algumas partes, a chuva, em outras, não tiraram o entusiasmo e a paciência dos eleitores.
"Isso é uma prova da consciência criada nos venezuelanos quanto à importância do voto e do poder que a Constituição e as leis nos dão para eleger nossos governantes", disse à ALC a jovem publicitária, Leda Piñero, depois de votar.
É importante que isso aconteça, agregou, porque vê-se o interesse das pessoas de tomarem parte nos assuntos políticos do país.
O estudante de Engenharia de Sistemas, Juan José Calzadilla, que votou pela primeira vez, disse à ALC que o processo do referendo revogatório caracterizou-se pela harmonia entre os cidadãos.
"Pareceu-me que o dia esteve tranqüilo, apesar de pensar que as pessoas iam se comportar de outra maneira. As pessoas, em geral, mantiveram a cordura e se comportaram como deve ser: como um povo unido, que só quer o melhor para o seu país", disse.
Lembrou que ficou em fila para exercer o direito de votar por cerca de dez horas. "Isso não me molestou, porque o fiz com orgulho, para dar a conhecer a minha opinião do que quero para o meu país. As pessoas mantiveram a harmonia e a paz como deve ser, porque todos somos Venezuela", argumentou o jovem universitário.
Hoje à tarde, o secretário geral da OEA, César Gaviria, e o ex-presidente Jimmy Carter, manifestaram que os resultados parciais do referendo, apresentados pelo CNE, correspondem com os dados obtidos por representantes das duas organizações, que acompanharam o processo na qualidade de observadores internacionais.
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