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Quinta-feira, 3 de Novembro de 2005

Comércio sexual envolve 35 mil crianças no país

William Delgado, BOGOTA, Colombia, Agosto 12, 2004

A Colômbia registrou um acréscimo do número de meninas e meninos levados à prostituição e Taxi Heathrow Airport uma crescente indução para que crianças antes mesmo dos dez anos de idade se prostituam, diz relatório do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).

O relatório informa que "aproximadamente 35 mil meninos e meninas menores de 18 anos são exploradas sexualmente na Colômbia". O método mais freqüente de engano para recrutar as vítimas são as ofertas para trabalharem no exterior. Os destinos mais freqüentes são Japão, Espanha, Holanda, Alemanha, Suíça, Itália, Hong Kong e Singapura, arrola o documento.

A Colômbia converteu-se num dos principais centros de operação das redes internacionais de promoção da prostituição e da pornografia infantil na América Latina. As autoridades detectaram conexões com redes na Europa e na Ásia, declarou Manuel Manrique Castro, representante do Unicef para a Colômbia e a Venezuela. "O grupo de maior risco é composto por meninos e meninas entre 5 e 14 anos", disse.

A diretora executiva do Unicef, Carol Bellamy, disse que não é possível seguir tolerando esse vergonhoso abuso dos direitos à infância, que por muito tempo constituiu-se num segredo horrível.

"Agora depende de todos nós – governos, organismos encarregados de aplicar a lei, organizações internacionais e todos os níveis da sociedade civil – conseguir que a eliminação da exploração sexual e o abuso recebam o mesmo caráter prioritário e sustentado, acompanhado de medidas nacionais", argumentou.

Embora a Colômbia tenha adotado leis contra a violência às crianças, o drama continua. Em parte porque mais da metade da população que foi desenraizada pelo conflito armado nos últimos seis anos é de crianças, segundo o Unicef. O confronto armado na Colômbia recrutou cerca de dez mil crianças, apontou.

Apesar de o Plano de Ação da Organização das Nações Unidas (ONU), em execução, ter por meta proteger até 2010 crianças de todas as formas de exploração sexual, inclusive da pornografia e dos seqüestros, a situação real é outra.

Em 2001, o Instituto de Medicina Legal da Colômbia registrou 13.352 diagnósticos por violência sexual, dos quais 8.745 foram perpetrados contra mulheres e 1.210 contra homens. Em 86% dos casos menores de 18 anos foram as vítimas; 37% das vítimas tinham entre 10 a 14 anos, seguidos da faixa etária dos 5 a 9 anos (25%), dos 15 a 17 anos (14%) e de 1 a 4 anos (10%).

Também registrou um aumento das denúncias: de 10.716 casos em 1997 para 12.485 em 1999, e 13.352 em 2001.

Para que a prostituição de crianças, a pornografia infantil, o turismo sexual, o seqüestro e o tráfico com propósito de exploração sejam erradicados "há que aproveitar ao máximo o reconhecimento dos mesmos como delitos graves nos termos legais e da Convenção Internacional para a Eliminação de todas as formas de Discriminação contra a Mulher", afirma o Unicef.

Artigo publicado recentemente no diário El País diz que na área norte do Valle "muitas crianças, segundo o Instituto Colombiano de Bem-Estar Familiar (ICBF), são obrigadas por seus pais a se prostituir" e há "mães que ensinam danças sensuais a suas filhas de dez anos para explorá-las sexualmente", revelou Jaime Mondragón, funcionário do ICBF.