Voltar ao início

Quinta-feira, 3 de Novembro de 2005

Helis Barraza, vicepresidente da Aliança Reformada Mundial [Foto: WARC]
Helis Barraza, vicepresidente da Aliança Reformada Mundial [Foto: WARC]

Vice-presidente da ARM quer alçar a voz latino-americana

Fernando Oshige, ACRA, Ghana, Agosto 12, 2004

"Vim à Assembléia de Acra com o objetivo de fazer ouvir a voz das igrejas Taxi Heathrow Airport da América Latina com respeito aos graves problemas que o pagamento da dívida externa geram e advertir sobre as conseqüências das negociações dos tratados bilaterais de livre comércio", disse o vice-presidente eleito da Aliança Reformada Mundial (ARM), Helis Barraza.

Barraza, 44 anos, afirma que as nações poderosas sufocam os países pobres com o pagamento da dívida externa, que se vêem obrigados a destinar uma elevada percentagem do orçamento nacional para honrar esse compromisso. Pagar a dívida significa um enorme déficit orçamentário, que o Estado resolve não atendendo as urgentes necessidades de saúde, educação, moradia e emprego da população.

O vice-reitor da Universidade Reformada da Colômbia e diretor da Aliança de Igrejas Presbiterianas e Reformadas da América Latina (Aipral) foi eleito vice-presidente da ARM na segunda-feira, 9, na Assembléia desse organismo, reunido na capital de Gana de 30 de julho até 12 de agosto.

O líder colombiano disse que muitas das crises registradas na América Latina nos últimos 20 anos decorreram da aplicação do "modelo neoliberal", que obrigou os países da região a "privatizarem as empresas do Estado, desregularizarem a economia e liberalizarem o emprego".

"Agora temos que estar vigilantes diante das negociações bilaterais dos tratados de livre comércio que nossos países encetam com os Estados Unidos e com a União Européia. Precisamos que os tratados sejam justos, que não atinjam ainda mais as nossas frágeis economias e que não atentem contra a biodiversidade de nossos países", defendeu.

Como igreja, definiu, "temos que fazer ouvir nossa voz em todos os fóruns internacionais, pois essa é uma crise global". Barraza advertiu que não se trata apenas de um problema dos países pobres. Cedo ou tarde, alertou, essa crise também vai bater às portas da Europa, do Japão e dos Estados Unidos.

O líder presbiteriano colombiano apoiou as reivindicações por justiça econômica e pela vida, que a ARM colocou em documento, aprovado ontem pela Assembléia. O texto apresenta uma clara condenação ao neoliberalismo e a tudo o que atenta contra a plenitude da vida.

Na visão de Barraza, as igrejas devem contribuir para o estabelecimento de relações mais justas entre os países. Isso significa, entende, que as multinacionais assumam o processo de desenvolvimento de maneira que assegure a sustentabilidade do planeta; que trabalhem com responsabilidade social, obtenham lucro justo e que trabalhem em favor da vida.

As igrejas têm que fazer prevalecer sua voz e não se submeter ao capital e ao mercado. Elas devem apontar as causas e não apenas as conseqüências do problema da injustiça, e contribuir para a construção de um modelo de sociedade mais justa, que preserve a vida e evite a destruição do meio ambiente, arrolou.