Voltar ao início

Quinta-feira, 2 de Setembro de 2004

Gospel mistura o moderno com o tradicional, constata pesquisadora

SÂO PAULO, Brasil, Agosto 9, 2004

Mais do que um movimento musical, o gospel é uma cultura, um modo de vida religioso, assimilado por considerável parcela das igrejas evangélicas brasileiras. Essa cultura religiosa configura-se na tríade música, consumo e entretenimento.

Recorrendo à metáfora do "vinho novo em odres velhos", a professora Magali do Nascimento Cunha apresentou, no dia 4 de agosto, um olhar comunicacional sobre a explosão gospel no Brasil, tese do seu trabalho de doutorado defendido na Universidade de São Paulo, na aula inaugural da Faculdade de Teologia na Universidade Metodista de São Paulo.

O movimento gospel é um fenômeno no campo da pastoral evangélica e católico-romana no Brasil. Magali Cunha desenvolveu, na tese, uma análise do discurso das canções mais popularizadas pelos cantores e grupos de maior sucesso entre os evangélicos.

A pesquisadora constatou que o discurso gospel revela a predominância da teologia da prosperidade, da guerra espiritual, da hegemonia de doutrinas pentecostais e as tradicionais marcas clássicas da identidade protestante brasileira: o fundamentalismo, o pietismo, o puritanismo, o sectarismo, o antiecumenismo e o antiintelectualismo, esse entendido como a negação do valor do estudo e da reflexão teológica.

Esse modo de vida, impulsionado pela mídia evangélica e o mercado capitalista globalizado, apresenta-se como uma expressão da modernidade entre os evangélicos, com ênfase no uso da tecnologia e afrouxamento da ética protestante restritiva dos costumes.

Magali Cunha destacou, contudo, que o discurso gospel não representa modernidade, mas conserva a tradição protestante brasileira de negação "do mundo" e exclusivismo religioso.

Daí, concluiu a pesquisadora, o gospel é uma cultura religiosa híbrida, porque mescla elementos modernos e tradicionais, novidades e posturas antigas, o que não leva a profundas transformações, mas a mudanças apenas de superfície, de "roupagem", especialmente dos cultos e na forma de expressão e lazer. Daí a metáfora do "vinho novo em odres velhos".

Para a professora de Teologia na Universidade Metodista, o gospel nada mais é do que o mesmo jeito de ser evangélico, mas com música, emoção, tecnologia e diversão.

O culto de abertura do segundo semestre letivo da Faculdade de Teologia, que antecedeu a aula inaugural, foi organizado pelo Grupo de Liturgia, que enfatizou o tema "Reencontro, reedificação e reconsagração".


Ultimos titulares