Fé e Constituição encerra encontro com esperança renovada
KUALA LUMPUR, Malasia, Agosto 9, 2004
Apesar de muitas perguntas ainda permanecerem em aberto, a Comissão Fé e Constituição do Conselho Taxi Heathrow Airport Mundial de Igrejas (CMI), reunida nesta capital de 26 de julho a 6 de agosto, tem o sentimento que os debates ocorridos no encontro apontam para um "momento de esperança".
O lema da reunião "Acolhei-vos uns aos outros como também Cristo nos acolheu para a glória de Deus", palavras de Romanos 15,7, convida à reflexão sobre o compromisso de dar as boas-vindas uns aos outros, de olhar para além das divisões e de trabalhar juntos para a unidade visível da Igreja, diz mensagem da Comissão dirigida às igrejas do CMI.
"As divisões internas e entre as nossas igrejas espelham não apenas diferenças teológicas e eclesiológicas, mas também os cismas no seio da humanidade", arrola a mensagem.
Além da questão fundamental – a divisão das igrejas -, o encontro de Fé e Constituição em Kuala Lumpur analisou o papel da Igreja em conflitos étnicos e de nacionalidades, o entendimento cristão a respeito da pessoa humana como imagem e semelhança de Deus, e a hermenêutica ecumênica.
O tema do encontro tocou todas essas questões, assinala a mensagem às igrejas. Em Kuala Lumpur também foram avaliados o movimento da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos e o envolvimento, engajamento e reflexão das igrejas em torno da paz.
A Comissão conclama as igrejas, na mensagem, a continuarem sustentando o trabalho e projetos que ela vem desenvolvendo, e de apoiarem o retorno desses estudos às bases, pois eles têm peso e credibilidade.
A mensagem dirigida às igrejas dedica espaço às palavras do primeiro-ministro da Malásia, Abdullah Ahmad Badawi, um maometano que falou para os cristãos da Comissão Fé e Constituição reunidos em Kuala Lumpur. Badawi lembrou que "não podemos nos apresentar perante o Deus misericordioso enquanto tivermos ainda tanto a fazer por estarmos irreconciliados".
A conselheira-mor da Igreja Evangélica da Alemanha (EKD), Dr. Dagmar Heller, "sem querer ser pessimista", disse, em entrevista no final do evento, que a Comissão Fé e Constituição está "numa situação muito difícil", mas que mesmo assim ela não perde a esperança.
A tarefa específica de Fé e Constituição – a busca pela unidade visível da Igreja – "precisa ser formulada de novo no contexto do século XXI", afirmou. Unidade não é uniformidade. Mas ao lado do acento de cada qual na tradição é preciso que todas as igrejas encontrem caminhos novos de se encontrarem mutuamente, apontou.
Heller defendeu uma maior reflexão em torno da hermenêutica, da interpretação de textos e dos símbolos cristãos. A representante da EKD também indagou se um encontro do plenário de Fé e Constituição a cada oito anos é suficiente. "Qual a prioridade que o trabalho de Fé e Constituição tem no CMI?" – questionou.
O diretor do Instituto Católico Johann-Adam-Möhler para a Ecumene, de Paderborn, Alemanha, professor Dr. Wolfgang Thönisses, registou um balanço positivo do encontro de Kuala Lumpur. "Tivemos bastante espaço para a discussão de importantes projetos de estudo", arrolou.
O professor da Faculdade de Teologia na Universidade Humboldt de Berlim, Dr. Dorothea Wendebourg, destacou duas novidades no encontro de Kuala Lumpur. Nele, a pergunta pelo status de outras religiões surgiu pela primeira vez como tema, já que o encontro teve lugar num país islâmico e por causa da saudação do primeiro-ministro do país, um maometano, aos cristãos reunidos na capital.
A segunda novidade que Wendebourg destacou foi a participação de um teólogo pentecostal no evento, Dr. Cecil Robeck, de Passadena, Estados Unidos. Robeck destacou que se Fé e Constituição entende que é uma de suas tarefas servir à unidade de todos os cristãos ela terá que entrar necessariamente em diálogo com o movimento pentecostal.
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