Oportunidades podem converter-se em tentação, alerta teólogo
Tomás Gómez, SANTO DOMINGO, República Dominicana, Agosto 9, 2004
O pastor luterano e presidente da Fraternidade Teológica Latino-Americana (FTL), Valdir Steuernagel, disse que no Taxi Heathrow Airport exercício do ministério é importante manter o nível de humanidade e não pensar que o ministro é um deus.
O ministério, definiu, é exercido em meio a conflitos e corrupção. "Nós vivemos por um tempo e nada mais, mas a obra é de Deus. Deus nos usa hoje, mas amanhã buscará outro na liderança", afirmou.
O teólogo expressou tais conceitos diante de mais de 200 pastores e líderes, que se reuniram na semana passada no Hotel Hamaca, de Boca Chica, em Santo Domingo. A jornada de fortalecimento espiritual foi coordenada pela Confraternidade Evangélica Dominicana (Conedo) e contou com o apoio da Visão Mundial.
O pastor brasileiro alertou que é importante que a liderança tenha consciência da oportunidade que Deus lhe deu. "Se o crescimento vem e não estamos preparados será um desastre para o ministério e para nossas igrejas", acrescentou.
Steuernagel é teólogo com reconhecimento. Recentemente, foi nomeado representante da Visão Mundial Internacional para o compromisso cristão e a renovação espiritual. Ele é autor de vários livros e artigos.
Igreja e família, destacou, devem ser mantidos. "Se não tivermos clara as coisas fundamentais da vida, vamos nos perder, tornando-nos arrogantes e superficiais. É a estrutura do lar que facilita o exercício do ministério. Se perdermos a relação da família, a normalidade da rotina da casa, estaremos perdidos", vaticinou.
Disse que muitas vezes se olha para a oportunidade de ter mais igrejas, mais terrenos, acesso às mídias, a contar com quota maior de poder. "Essa lógica pode ser uma boa lógica para os negócios, mas necessariamente ela não tem que ser a lógica de Deus. A lógica do reino de Deus é a lógica do pequeno, do enfermo, de quem necessita salvação. Não é a lógica do palácio, do protocolo, de que cada vez somos mais. É preciso estar com os pobres, com os doentes, com os necessitados", proclamou o teólogo brasileiro.
É bom ser grande, ter acesso à mídia, "mas devemos perguntar se estamos discernindo os tempos ou apenas materializando oportunidades". Deus dá oportunidades que podem converter-se em tentações. "A tentação e a bênção estão muito próximas. A oportunidade de hoje pode ser a tentação de amanhã", admoestou.
Também mencionou o despertar político da igreja evangélica e destacou que nunca ela teve tanta participação na política. Disse que a igreja evangélica está gerando níveis de suspeita com sua participação política. "Até agora temos um capital de credibilidade em nossa gestão que pode diminuir ou aumentar com o tipo de participação política que façamos", alegou.
Hoje, cristãos trocam de partido político dependendo da conveniência. Andam atrás de seus próprios interesses, mas não têm compromisso com a nação, denunciou.
"Vivemos numa luta contínua. A tendência do coração é o encanto do poder, da superficialidade. Aprendemos a nos encantar com os lugares de luxo, mas, apesar disso, o convite de Deus é de estar com os que choram, a levar em conta os pequenos, o perdido. Quanto mais nos encantarmos com o poder, mais surdos seremos diante do grito dos necessitados e dos que sofrem", exortou.
Mencionou que a saúde da igreja de amanhã depende da relação de amor que se conseguir estabelecer hoje com Deus. Deplorou que hoje em dia a Bíblia já não é mais o centro, mas que às vezes são inventadas novas formas de produção para deixar a clientela satisfeita. A igreja, alertou, deve manter a centralidade na Palavra de Deus.
Steuernagel lamentou que hoje se tenha pouca memória histórica nas igrejas e nas sociedades para, dessa forma, viver a vocação com sentido profético. Disse que o povo de Deus não pode estar em conformidade com o mundo. "Há uma palavra profética na vida da igreja. Estamos nos acomodando à situação para poder tirar proveito pessoal ou institucional. Temos que ser profetas. A igreja não pode perder a autoridade de dizer: ‘Assim diz o Senhor’", frisou.
Alertou que as pessoas têm uma capacidade enorme de se preocuparem com coisas de pouca importância, enquanto a massa tem fome e sede. "Nós somos os líderes, precisamos ter uma visão que vá além de onde estamos e viver além de nosso bem-estar", disse.
Uma verdadeira liderança significa viver no limite do conforto. "Precisamos permitir a entrada de pessoas que deixam a igreja nervosa. Quando nos sentimos sempre super cômodos é porque em nossas igrejas não entra ninguém que nos deixa nervosos", disse.
Destacou que é fundamental que "sejamos uma igreja de comunidade, não uma igreja de caciques e de gerentes". A igreja, argumentou, não pode ser um negócio, porque ela é uma comunidade na qual Deus fala, uma comunidade de ajuda mútua, na qual uns escutam os outros.
Ultimos titulares
Grito mobiliza 1 milhão de pessoas (Sexta-feira 9/10/2004) Igrejas devem ser mais proativas em assuntos de HIV/Aids (Segunda-feira 9/6/2004) Movimento Juntos pela Infância convoca encontro (Segunda-feira 9/6/2004) País reza pela paz (Segunda-feira 9/6/2004) Olimpíada Evangélica completa 50 anos e reúne 900 atletas (Segunda-feira 9/6/2004) Conselho da FLM recorda diaconisa brasileira assassinada (Domingo 9/5/2004) FLM condena matança em Beslan (Domingo 9/5/2004) Painelistas analisam aspectos comunicacionais da religiosidade latina (Sábado 9/4/2004)

Portada
Início