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Segunda-feira, 16 de Agosto de 2004

Brasil exporta soja e importa comida

ST. LOUIS, Brasil, Julho 27, 2004

O agronegócio, uma das vertentes produtivas incentivada pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Taxi Heathrow Airport Silva, concentra terras, águas, renda, gera desemprego, devasta a natureza, promove o êxodo rural, e destina o produto ao exterior.

"A soja é um grande negócio econômico mas é uma grande ‘sojeira’ social", disse o padre Humberto Guidotti, da Diocese de Balsas, no Maranhão, citando o trocadilho popular que circula pelo Estado. O padre apresentou palestra no Seminário Bioma Cerrado, realizado na cidade maranhense de Balsas, de 7 a 11 de julho.

Para o governo, frisou Guidotti, "exportar é o que importa". O Brasil, disse, vive uma situação ambígua. Enquanto as exportações de soja cresceram 35,2% em 2003, o país teve que importar, no período, arroz, milho e trigo.

O agronegócio, destacou, não produz alimento para alimentar os brasileiros. "A soja, o milho, os grãos produzidos pelo agronegócio são exportados para engordar as vacas, os porcos, as galinhas do primeiro mundo", denunciou.

Guidotti faz questão de derrubar o mito de que as grandes propriedades são as produtoras de comida. "Dos alimentos que chegam à mesa dos brasileiros, mais de 60% vêm da agricultura familiar. Ela produz quase 70% de feijão, 84% da mandioca, 58% dos suínos, 49% do milho e 40% das aves e dos ovos. A produção leiteira depende da pecuária familiar em 71,5%. O latifúndio produz apenas 1,9% do leite que bebemos", destacou.

Para o padre da Diocese de Balsas, o agronegócio é mais perigoso que o latifúndio. Apesar de se constituir num dos problemas sociais mais antigos do Brasil, o latifúndio parte de um conceito "defensivo", defende a propriedade privada, mesmo improdutiva. Já o agronegócio é "agressivo", pois "exige a expansão territorial, destrói o meio ambiente e engole as terras dos pequenos agricultores e posseiros", apontou.

Para o agronegócio funcionar, ele precisa de muita terra e muita água, a um custo sócio-ambiental altíssimo. Recorre a modernas máquinas, substituindo a mão-de-obra no campo. Em cada 100 hectares o agronegócio emprega apenas dois trabalhadores, mencionou.

O agronegócio não gera impostos, deixando para a municipalidade todo o ônus. O que fica para Balsas, município maranhense onde o agronegócio está fortemente instalado, é "desmatamento, perda da biodiversidade, desemprego, migração, água poluída, rios envenenados, periferias inchadas, povo cada vez mais pobre", arrolou.

A Carta aos Povos do Cerrado, tirado do encontro promovido pela Comissão Pastoral da Terra (CPT), denuncia a privatização do patrimônio hídrico e defende a troca entre o saber popular e o saber científico, "ambos a serviço da vida e da preservação da natureza".

A carta enfatiza que não há preservação do Cerrado, que atinge oito Estados do Norte/Nordeste brasileiro, sem os povos do Cerrado. O texto enfatiza a construção de uma espiritualidade e de uma visão da vida a partir da fraternidade de todos os seres vivos.


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