Pesquisa da Ulbra levanta dados sobre surdez
Micael Vier B., CANOAS, Brasil, Julho 21, 2004
A Universidade Luterana do Brasil (Ulbra), em parceria com a Organização Mundial da Saúde (OMS), Taxi Heathrow Airport desenvolveu pesquisa inédita na América Latina enfocando a incidência da surdez entre habitantes do município gaúcho de Canoas, da Região Metropolitana de Porto Alegre.
Os dados apurados indicam que 6,8% da população entrevistada apresentam perdas auditivas incapacitantes, enquanto que 19,3% têm perda auditiva leve e 73,9% audição normal. Entre os países em desenvolvimento, a percentagem média de pessoas com perda auditiva incapacitante é de 7%.
Em entrevista à ALC, o coordenador da pesquisa, professor doutor Jorge Béria, afirmou que, no mundo, o percentual da população com perda auditiva incapacitante alcança os 4,2%.
Os dados apurados em Canoas, anotou Béria, aproximam-se daqueles já apurados pela OMS em outros países do mundo. Na Nigéria, o índice de prevalência para perda auditiva incapacitante atinge 6,2% da população, na Índia 6% e no Sri-Lanka 9%.
Durante o trabalho de campo, realizado por estudante de Medicina que já passara pelas disciplinas da área da otorrinolaringologia e um fonoaudiólogo, foram realizados 2.609 exames de audiometria capazes de identificar o nível de audição.
Jorge Béria avaliou que infecções como a meningite e a otite, a rubéola congênita e o uso indiscriminado de antibióticos aparecem como as principais causas da perda auditiva. Ele ressaltou a importância do exame pré-natal, os cuidados com a oxigenação durante o parto, e o cuidado com a exposição aos ruídos como fatores preventivos contra possíveis perdas da audição.
"Mais importante de tudo é sensibilizar os órgão públicos e de ensino para o tamanho do problema, que é prevalente e precisa ser detectado", disse Béria. O professor de Medicina ressaltou também o papel social da imprensa na divulgação de trabalhos desse tipo, afirmando que toda a pesquisa só terá visibilidade se extrapolar o ambiente acadêmico.
A pesquisa, orçada em 45 mil dólares, foi financiada pela organização internacional não-governamental Christoffel Blindenmission, da Alemanha, com o apoio da OMS, da Fapergs (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio Grande do Sul) e do Cnpq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), em parceria com a Fundação Ulbra.
O trabalho de pesquisa teve início em novembro de 2002 e foi concluído em junho de 2003. Os resultados do projeto foram apresentados em Genebra, sede da OMS, que estima a necessidade de 30 milhões de próteses auditivas no mundo a cada ano. Também foram levados à Alemanha, na Christoffel Blindenmission, e à Brasília, no Ministério da Saúde.

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