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Segunda-feira, 29 de Outubro de 2007

Ricardo Verástegui,jornalista peruano [Foto: FOS]
Ricardo Verástegui,jornalista peruano [Foto: FOS]

O Império enche nossa América de miséria

Ricardo Verástegui , LIMA, Perú, Julho 21, 2004

Mostrando a extraordinária visão política que tinha, Simón Bolívar escreveu que os Estados Unidos (EEUU) Taxi Heathrow Airport pareciam estar predestinados a cobrir de miséria a nossa América em nome da liberdade.

As últimas décadas do século XIX, todo o século XX e os primeiros anos do século XXI mostram de forma clara e trágica a evidência dessa percepção de Bolívar na história da América Latina.

Os EEUU não cobriram de miséria apenas a América Latina em nome da liberdade, mas também outros povos de diversos continentes do mundo.

Cada vez que a voracidade dos interesses de empresas do império norte-americano eram atingidos ou presumiam que países levantariam a bandeira por regras justas para regular a inversão do capital transnacional e o comércio internacional, com a finalidade de promover o desenvolvimento integral de seus territórios e coletividades, os EEUU não tiveram escrúpulos em manchar as mãos com sangue.

Isso depois de recorrer à mentira, à chantagem, à pressão e à compra de consciências, a fim de garantir que essa insaciável voracidade continue saqueando e explorando nossos recursos ao máximo em proveito próprio.

Ações perpetradas - todas elas - com a nefasta cumplicidade de uma série de governos, forças armadas e grupos de poder de multiforme matizes, que atuam como capatazes e verdugos de seus próprios povos.

Os EEUU não utilizam apenas a estratégia de intervenção militar direta ou através de seus testa-de-ferro, mas têm outras estratégias, como o bloqueio econômico que aplica, desde o século passado, contra a irmã República de Cuba e, mais recentemente, ao mal denominado Tratado de Livre Comércio (TLC).

Mal denominado de livre comércio porque favorece somente a uma das partes (EEUU) e torna mais dependentes e vulneráveis as economias dos países que o integram, pela subordinação destes aos interesses econômicos das transnacionais do Império.

As negociações iniciadas sobre o TLC pelos governos dos países andinos e Washington deixam entrever essa realidade: os países andinos solicitaram a exclusão dos produtos usados no programa de libertação no marco do TLC, porém os Estados Unidos mostraram-se em desacordo com a exclusão destes bens, pois para eles os produtos usados são diferentes aos "remanufaturados".

A razão? Os EEUU estão interessados em exportar maquinaria "remanufaturada" (elaborada com partes recuperadas de bens usados).

Os EEUU também propuseram, no marco do TLC, que seja ampliado o prazo de vigência das patentes dos medicamentos, o que fará com que os novos remédios demorem mais tempo para sua venda como "genéricos" (que têm os mesmos componentes que os de "marca patenteada" e custam menos).

Por último, segundo adverte o investigador do Programa de Economia Ecológica do Instituto de Ecologia Política do Chile, Bernardo Reyes Ortiz, uma onda de privatizações em setores públicos e básicos como saneamento, energia, petróleo e saúde se avizinhará com a assinatura de um tratado de livre comércio com os Estados Unidos, já que o país do norte atua de acordo com as exigências das transnacionais norte-americanas que buscam ascender a setores sumamente dinâmicos e rentáveis.

Assim, mais miséria açoitará os povos da América Latina promovida pelo Império do mal, que dura mais de 100 anos e que está empenhado em mostrar-nos que, talvez, nunca seremos felizes.

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Ricardo Verástegui, jornalista peruano.